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Virada no ciclo econômico depende de confiança

A equipe econômica está se esforçando para apresentar números menos ruins, mas não tem jeito.

Virada no ciclo econômico depende de confiança A equipe econômica está se esforçando para apresentar números menos ruins, mas não tem jeito.
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A equipe econômica está se esforçando para apresentar números menos ruins, mas não tem jeito. O rombo pode ser até menor que se especulava, mas vai demorar muito para as contas voltarem a ter superávits. A deterioração foi pesada demais, com as despesas crescentes da Previdência, que tem muita irregularidade, gastança exagerada, queda forte de receita, por causa da recessão, que derrubou a geração de impostos. E ainda tem as bondades de agora. Michel Temer pegou muita coisa encaminhada e pra não encarar mais resistência foi cedendo.... apoiou o reajuste do funcionalismo, deu aumento para o Bolsa Família superior ao anunciado por Dilma, liberou dinheiro pra educação, renegociou as dívidas dos Estados. Situação, aliás, ainda em aberto. Até por um erro de estratégia, não conseguiu a aprovação de urgência da matéria na Câmara. Define a meta fiscal do próximo ano sem saber quanto a renegociação vai pesar. Agora, o fato é que, mesmo propondo mudanças que determinem uma evolução melhor das contas a longo prazo, como a limitação do aumento das despesas com base na inflação passada e a reforma da previdência, o governo Temer vai ter de conviver com imensos déficits das contas, como o deste ano, de mais de 170 bilhões e do ano que vem, que pode ficar nos 140 bilhões. O governo pode acelerar concessões, privatizar, ampliar o prazo da repatriação de recursos, rever programas sociais, gastos com benefícios, como o auxílio doença e invalidez, e até aumentar impostos, o que ainda não dá pra descartar, que as contas vão ficar no vermelho. O mais importante é que, além da aprovação das medidas e reformas de maior alcance, consiga convencer a sociedade, agentes econômicos, investidores, que está fazendo a coisa certa, que a situação vai mudar, mesmo. Se passar confiança, o custo de rolagem da dívida e de captação de recursos cai, a inflação pode baixar mais fácil, dando espaço para o corte dos juros, a curva da dívida pública melhora, a economia reage mais, reforçando a geração de impostos, o que ajudaria no ajuste fiscal. Uma virada no atual ciclo da economia depende muito da confiança. Daí a preocupação com o anúncio da nova meta ou do novo rombo das contas pra 2017. Temer terá de trabalhar muito bem com essa situação que, em princípio, é bem negativa. Eu volto na segunda. Até lá.
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