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Na crise, brasileiro corta loteria e bebida

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Na crise, as pessoas fazem mais uma fezinha na loteria? Apostam mais ou menos? Muito menos, informou hoje o governo.
O dinheiro gasto em loterias federais caiu muito mais do que o total dos salários. Mais que a economia. Caiu quase tanto quanto a produção das indústrias, que foi um horror.
As loterias federais arrecadaram 14% menos em 2016, em relação a 2015. Isso quer dizer 7%, se a gente desconta a inflação.
Mesmo assim, não foi pouco dinheiro. No ano passado, os brasileiros gastaram R$ 12 bilhões e 800 milhões em loterias.
Dá mais ou menos o equivalente à metade do que o governo federal gastou com o programa Bolsa Família, que atende cerca de 50 milhões de pessoas.
O brasileiro jogou menos e bebeu menos. Caiu a produção da indústria da cerveja.
Ainda não saíram os números da cerveja para o ano inteiro. Mas acabaram de sair as informações até novembro.
Em comparação com 2015, a produção de cerveja caiu 2%, segundo dados da associação dos fabricantes da bebida. E a produção estava caindo ainda mais rapidamente no final do ano.
No restante da indústria de bebidas, que inclui as bebidas não alcoólicas, a situação foi ainda pior. Até novembro, a produção de bebidas caía mais de 3%, a gente soube ontem pela pesquisa do IBGE.
Estamos comendo menos? Difícil saber, por enquanto, mas a produção da indústria de alimentos cresceu muito pouco no ano passado, cerca de 1%.
Como a população do país cresce quase isso por ano, a produção de alimentos por cabeça ficou quase na mesma.
Parece ruim? Já foi pior, nesta recessão. Em 2015, a produção de alimentos caiu. Uma desgraça rara de acontecer.
Vai piorar? Não. Estamos despiorando, aos poucos, muito devagar. Quando a gente vai sentir alguma melhora no dia a dia da loteria, da cerveja e da comida? Lá depois da metade do ano.
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