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Retomada da economia ainda sem muita firmeza

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Retomada da economia ainda sem muita firmeza Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O PIB oficial só vai sair em junho. Se vier positivo, como indicou o IBC Br, vai marcar o fim da recessão. Agora, é ver qual será o ritmo de reação daqui pra frente. O primeiro trimestre pode ter tido crescimento, mas março foi muito ruim, com queda pesada da produção industrial, das vendas do comércio e dos serviços. A agropecuária é o que mais tem sustentado a reação de atividade, até pela supersafra. A retomada da economia ainda não tem muita firmeza.Tanto que o mercado, segundo o relatório Focus, também do Banco Central, prevê, agora, uma expansão do PIB de 0,5% este ano, após várias semanas de pequenos cortes. Meio por cento é pouco pra fazer frente a desafios como o desequilíbrio das contas públicas e o desemprego. Sem crescimento maior, a arrecadação não reage. Com receita fraca o governo segura mais os gastos, investimentos, que poderiam ajudar na retomada. Por outro lado, esse ritmo de expansão, embora se espere uma aceleração pra 2,5% em 2018, não garante sequer estabilidade do desemprego, que já atinge mais de 14 milhões e 200 mil trabalhadores. O governo pode até adotar medidas pontuais, como a liberação das contas inativas do fundo de garantia, pra dar algum impulso. As vendas agora do Dia das Mães já contaram com esse reforço. Mas o principal instrumento que dispõe pra estimular a atividade, sem atrapalhar outros ajustes da economia, é o corte dos juros. A expectativa é que a taxa básica, hoje em 11,25% ao ano, caia até 8,5% no final de 2017. Mas, talvez, dê pra ir além disso, ou com mais rapidez. As projeções de inflação continuam em queda forte. O mercado já prevê variação de apenas 3,93% do IPCA este ano e de 4,36% no ano que vem. Se o BC não aproveitar pra intensificar o corte dos juros, a recessão pode ter um custo ainda maior para o País. Quando se pensa no desemprego, não dá pra imaginar que o ajuste fiscal e a recuperação esperada da confiança dos agentes econômicos, grande aposta do governo, possam impulsionar a atividade, a ponto de garantir uma virada de cenário ainda este ano. Juros em queda têm mais impacto. Não só pelo estímulo mais direto ao consumo, mas, também, pelo alívio que podem trazer para o endividamento de consumidores e empresas, outra trava à retomada da economia. Eu volto na quinta. Até lá.
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