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As preocupações com a alta do dólar

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

As preocupações com a alta do dólar Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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Uma das preocupações com a alta recente do dólar é em relação à inflação, que chegou a ser motivo de preocupação, algumas semanas atrás, mas agora está pra lá de favorável. O IPCA 15, prévia da inflação oficial, subiu apenas 0,19% agora em novembro, após a alta de 0,58% em outubro. Foi a menor variação para o mês desde 2003. Há possibilidade de o índice fechado do mês ter até deflação, uma variação negativa.

Os preços administrados, que não dependem da concorrência de mercado, e vinham sendo o principal fator de pressão, entraram numa fase melhor. Já houve a mudança da bandeira da tarifa de energia, de vermelho nível dois pra amarelo, e, com o aumento das chuvas, pode passar para o verde, já em dezembro.

Os preços dos combustíveis que tiveram uma boa desaceleração dos aumentos, devem cair mesmo daqui pra frente, já que ainda não houve o repasse dos sucessivos cortes que a Petrobrás tem anunciado para as refinarias. Tem a justificativa dos estoques, de recomposição de margens. Mas a tendência é de queda até porque o Petróleo já está na mínima do ano e o dólar continua rodando em patamar bem inferior ao da época das eleições. E é essa combinação que determina os ajustes de preços dos combustíveis. Até o etanol tende a cair, pela previsão de maior oferta.

O custo de alimentação subiu, por aumentos mais pesados de alguns produtos, como o tomate, cujo preço avançou mais de 50% no mês. Só que produtos agrícolas sempre respondem muito às oscilações da oferta e podem reverter logo a alta.

Paralelamente a essas condições mais específicas, é preciso levar em conta que o consumo continua meio contido, sem a expansão que era esperada, o que reduz bastante a possibilidade de reajustes dos chamados preços livres, aqueles mais influenciados pelo ritmo da demanda.

Enfim, por enquanto, a inflação saiu do radar das preocupações. Até se espera que a taxa básica de juros tenha alguma elevação no ano que vem. Mas isso muito mais pelo fato de que a meta de inflação vai cair em 2019 e 2020 e o Banco Central pode ter de dar uma calibrada no ritmo de retomada do consumo, pra garantir a inflação mais sob controle, do que pelo risco de ficar mais pressionada.

Agora, pra este ano, já se começa até a contar com a inflação um pouco abaixo de 4%, com uma distância maior do centro da meta, que é 4,5%. Boa noite.
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