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Por enquanto, mais expectativa que realidade

O desempenho do mercado, agora em junho, não deixa de ser surpresa, principalmente com o tombo das bolsas e o avanço do dólar.

Por enquanto, mais expectativa que realidade O desempenho do mercado, agora em junho, não deixa de ser surpresa, principalmente com o tombo das bolsas e o avanço do dólar.
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O desempenho do mercado, agora em junho, não deixa de ser surpresa, principalmente com o tombo das bolsas e o avanço do dólar, após o plebiscito que determinou a saída do Reino Unido da União Européia. É que o mercado está confiando numa ação firme dos bancos centrais das principais economias no sentido de estimular o crescimento e minimizar os efeitos do Brexit. Isso pode levar o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, a demorar mais pra voltar a elevar os juros. Mas o mercado brasileiro também contou com uma boa influência doméstica, começando pela confiança na nova equipe econômica, na adoção de medidas que ajudem a reativar a economia e reestruturar as finanças públicas. Embora, por enquanto, isso seja mais expectativa do que realidade. Sendo que, no caso do Banco Central, o novo presidente, Ilan Goldfajn, sinalizou um menor intervencionismo no câmbio, o que pode dar espaço pra quedas maiores do dólar. O mercado já não descarta a cotação perto dos 3 reais. Inclusive porque o Brasil continua com juros muito altos, enquanto vários países estão com juros negativos. E os juros, aqui, não devem cair tão cedo, já que a nova direção do BC também reafirmou o compromisso em fazer com que a inflação caia para o centro da meta, os 4,5%, já em 2017. Aliás, o Conselho Monetário Nacional manteve hoje a meta do próximo ano em 4,5%, com 1,5 ponto de tolerância, para cima ou para baixo, com as mesmas condições valendo para 2018. O teto cai para 6%. Fazer a inflação caminhar nesse sentido pode exigir maior conservadorismo na administração dos juros. Juros altos, como eu disse, são um fator de atração para o capital externo, que pode ganhar mais força com a definição do impeachment. Claro, que ainda há muitas incertezas, tanto aqui, como no exterior, que podem mexer com o humor do mercado. Tem a questão européia, a desaceleração da China, os juros nos Estados Unidos, a crise política no Brasil, a necessidade de o governo avançar com os ajustes na economia. Mas, se nada sair muito do previsto, a bolsa pode seguir em recuperação e o dólar testar novos pisos. Ruim para as empresas que operam no comércio exterior e contavam com dólar mais alto, pra ganhar competitividade e expandir as vendas externas. São os dois lados da moeda. O dólar mais baixo ajuda no controle da inflação. Se a inflação cair mais rápido, os juros podem ter algum corte mais cedo, o que também pesa na retomada da atividade. Eu volto na segunda. Até lá..
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