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Pacote não alivia recessão, mas não é irrelevante

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.

Pacote não alivia recessão, mas não é irrelevante Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.
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A gente soube ontem do pacote econômico que era anunciado, pelo menos pela área política do governo, como um jeito de dar uma aliviada na crise. Um jeito de diminuir a recessão, que voltou a dar uma piorada no bimestre passado.
Aliviar a recessão o pacote não vai, coisa nenhuma. E nem os economistas do governo acreditavam nisso. Mas o pacote não é irrelevante.
Tem medidas que, se forem aplicadas, devem ajudar o país a crescer um pouquinho mais, mais adiante, não agora. E tem providências que vão afetar a vida do dia a dia.
Primeiro, de mais "pop": vai mudar a remuneração do Fundo de Garantia, do FGTS. Hoje, o dinheiro que é depositado no fundo perde feio da inflação. É corrigido por uma taxa chamada TR, hoje muito pequena, mais 3% ao ano.
O governo agora vai distribuir uma espécie de lucro do FGTS. Quer dizer, esse lucro ainda fica no fundo, mas melhora a rentabilidade, que vai variar ano a ano, mas deve chegar a TR mais 6%, pelo menos perto da poupança e, agora, acima da inflação.
Medida importante para grandes ou micro empresas e até para pessoas físicas com dívidas com o governo: vai ser possível parcelar essa dívida em até dez anos. Empresas que têm crédito tributário a receber do governo, vão poder usá-los para pagar débitos previdenciários ou tributários com o fisco.
É um alívio e um meio de sair da lista de inadimplentes com o governo, que praticamente paralisa o crédito para essas empresas com o nome sujo, vamos dizer assim.
O governo prometeu que, em alguns dias, vai mudar o pagamento com cartão de crédito. Os lojistas provavelmente vão poder receber o dinheiro mais cedo. Provavelmente, vai ser legal cobrar preços diferentes para diferentes tipos de pagamentos. Isto é, quem paga à vista ou no débito, vai poder ter negociar desconto.
Outras medidas vão facilitar o pagamento de 13 impostos em uma vez só, por meio de um e Social, um pagamento eletrônico, como se faz com os direitos trabalhistas de empregados domésticos.
Enfim, são medidas que podem facilitar a vida das empresas, que sofrem também com os custos e ineficiências da burocracia.
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