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A onda inédita de calor que atinge a Europa

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

A onda inédita de calor que atinge a Europa Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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A Europa está quente. E não é no sentido figurado que eu estou falando. É uma onda de calor inédita nos últimos dez anos. Em Roma, fez ontem 43°C. Em Madri, 38, depois de ter permanecido acima de 40, por cinco dias consecutivos no finzinho de julho. Na Sardenha, na Itália, os termômetros marcaram 44. Em Paris, quase chegou aos 40 por duas vezes neste verão. Os meteorologistas não descartam a possibilidade de alguma coisa parecida com 2003. Naquele ano, só na França, morreram 15 mil pessoas a mais, que o esperado pelos demógrafos nas duas primeiras semanas de agosto. Em Paris, foram 60 idosos que moravam sozinhos, e que morreram de desidratação. A prefeitura precisou requisitar caminhões frigoríficos, porque o necrotério não dava conta de armazenar os cadáveres. A Europa teve outro verão horrível em 1976. Nos Estados Unidos e no Canadá, a grande tragédia aconteceu em 2006. Foram 225 mortes diretamente provocadas pelo calor. Esse tipo de verão provoca a seca e incêndios em florestas, como acaba de acontecer na França e em Portugal. Os cientistas apontam como culpado o aquecimento global, provocado pela emissão de gases de efeito-estufa. É o processo em que Donald Trump não acredita, e que levou o governo americano a se retirar do acordo climático, assinado em Paris no fim de 2015. Mas saiu dos Estados Unidos a pesquisa mais curiosa sobre o clima. A Nasa patrocinou um estudo, que circula nas redes sociais, com excepcionalidades climáticas, constatadas em cada país, desde o ano de 1900. As barras vermelhas, com o calor excepcional, começaram a ser as mais frequentes de 20 anos para cá. É no fundo um recado que o planeta está dando para todos nós. A possibilidade de continuarmos a viver por aqui, depende de nossa capacidade, de evitar ciclos cada vez mais frequentes de temperatura elevada. E se não pudermos mais viver no planeta terra, nós não teremos, como alternativa, outro planeta para morar. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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