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O perigo do Estados Islâmico após os atentados de Paris

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Prestem atenção. Os terroristas do Estado Islâmico podem praticar, na Europa, atentados com armas químicas. O alerta foi lançado hoje, pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Ele participava do debate no Parlamento para prolongar o estado de emergência, que foi adotado depois dos atentados em Paris na sexta-feira. Pode até ser que Manuel Valls tenha exagerado, para convencer os deputados a tomar decisões que põem um limite à rotina da democracia. Mas esse negócio faz sentido. Vamos recapitular. O Estado Islâmico foi em parte formado pela deserção de militares sunitas, no Iraque e na Síria. No Iraque, em 1988, o ditador Saddam Hussein usou armas químicas, contra cidades do Curdistão. Ele pode ter matado, em poucos minutos, até 5 mil civis. O caso da Síria é mais recente. Já com a Guerra Civil, em 2013, o ditador Bashar Al Assad usou armas químicas contra regiões que eram suspeitas de apoiar os rebeldes. As Nações Unidas entraram na história. As armas químicas são proibidas há quase 100 anos pela Convenção de Genebra. A Síria se comprometeu a destruir os arsenais dela. E tudo indica que cumpriu a promessa. Acontece que as armas químicas são produzidas com uma tecnologia relativamente simples. Basta juntar em laboratório elementos obtidos no contrabando. Ninguém garante que oficiais desertores da Síria e do Iraque não tenham entregue as fórmulas e a matéria-prima para o Estado Islâmico. Uma bomba química, no meio de uma cidade como Paris, mataria 200 mil, 400 mil pessoas em poucos minutos. E sem destruir prédios ou monumentos históricos. Imaginem outras bombas sendo lançadas ao mesmo tempo em Londres ou em Berlim. Seria um massacre digno de filme de terror, coisa de ficção científica. Nem é bom imaginar, para não atrair maus pensamentos. Mas foi o primeiro-ministro da França quem lançou o alerta. Vamos torcer para que seja um exagero dele. E vamos também torcer para que os europeus saibam se proteger. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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