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O mercado faz uma leitura positiva sobre Bolsonaro

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O mercado comprou mesmo Bolsonaro. A aposta é em um programa liberal para a economia, com foco no ajuste das contas, reformas, privatizações, liderado por Paulo Guedes que parece ter convencido o candidato de que esse é o melhor caminho.

Embora, o histórico de votações de Bolsonaro seja diferente, não tão liberal, e os dois já tenham tido até divergências em torno da criação de uma contribuição que poderia dar suporte a uma revisão tributária, até com redução da carga de impostos. Mas foi melhor calar o economista para evitar ruídos. O mercado entende que o programa central de Paulo Guedes vai acabar prevalecendo.

Além dessa leitura mais positiva, tem, uma postura anti PT, que deu indicações quanto à adoção de medidas que lembram muito a política econômica que Dilma Roussef, sem dar prioridade à questão fiscal, às reformas, podendo até reverter medidas aprovadas no atual governo.

Pra reforçar o ânimo, Bolsonaro ainda garantiu uma base no Congresso muito superior ao que se esperava. O fraco partido dele, PSL, fez a segunda maior bancada, com vitórias importantes no âmbito estadual, ajudando a promover uma renovação parlamentar que também não era esperada. Isso reduz o temor quanto a dificuldades que possa enfrentar, na articulação política, para a aprovação de medidas relevantes do programa econômico. É possível que a bancada ainda tenha mais adesões, naquela típica movimentação dos políticos em busca da proximidade com o poder.

Esse é o cenário que o mercado está traçando, caso Bolsonaro saia vitorioso. Agora, é preciso ir com calma na animação. Mesmo que não haja grandes desvios nesse roteiro, colocar a economia nos eixos não vai ser fácil. A oposição pode ser pesada, principalmente, se for liderada pelo PT. Tem uma mobilização corporativa muito forte na defesa de direitos e benefícios, independentemente de quem for o governo. E formar uma maioria, de fato, é complicado. E ainda tem todo um segundo turno que promete ser muito disputado.

Só esses fatores já podem levar a algum ajuste do mercado. Fora a questão técnica. O dólar ainda tem espaço para cair, mas não indefinidamente. Há um ponto de equilíbrio. Assim como a Bolsa, a partir de certo ponto, pode ficar cara. Boa noite.


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