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O desafio da reforma da Previdência

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

O desafio da reforma da Previdência Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O governo acredita na votação da reforma da Previdência até a virada do semestre. Vai ser um desafio e tanto. As lideranças no Congresso mantêm a disposição em seguir esse cronograma. Só que até a lista do Janot, a implicação dos políticos nas denúncias da Lava Jato, pode travar ou adiar as discussões. O clima é de muita apreensão. E tem a resistência da sociedade. As manifestações de hoje, apesar das diferentes conotações políticas, retratam a posição de boa parte da população, que não gostou das mudanças que o governo quer nas aposentadorias. Especialistas têm criticado. Na Câmara foram apresentadas 146 emendas ao texto original, que podem comprometer muito o resultado que o governo espera, na redução das despesas. No ano passado, o déficit total da Previdência chegou a quase 152 bilhões de reais, o maior da história. É certo que tem as renúncias, como as filantrópicas e da exportação rural, a inadimplência de muitas empresas. A crise deixou a situação mais evidente porque a receita do governo caiu e o peso dos gastos com a Previdência ficou, proporcionalmente, muito maior. Mas as projeções são de rombos crescentes porque a população está envelhecendo e vivendo mais. Com isso, a tendência é de o sistema previdenciário abocanhar uma fatia cada vez maior do orçamento. Com a reforma o governo tenta estabelecer uma perspectiva melhor. Só que, ao contrário do que diz, vai mexer com direitos dos trabalhadores. O direito de se aposentar mais cedo, com menos tempo de contribuição, de ter pensão maior. Isso nunca será aceito com facilidade. Na situação que o País vive hoje pode ficar ainda mais complicado, com essa avalanche de denúncias de corrupção envolvendo a classe política. O governo vai ter de negociar, driblar resistências. Se não garantir a economia que espera não será um desastre, mas o ajuste das contas públicas ficará mais difícil, o que mexe com a credibilidade, com o potencial de retomada dos investimentos, Se não houver nada de reforma, o quadro fica bem mais complicado, até pra saída da crise. O desequilíbrio fiscal afeta demais o andamento da economia. E a Previdência é a principal fonte de desequilíbrio. Eu volto na segunda. Até lá.
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