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Na Síria, guerra e bandidagem: 65 mil sequestros

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Guerra Civil na Síria é uma sopa de tragédias, é um prato feito sobre violações dos direitos humanos. Pois hoje, quarta-feira, a Anistia Internacional lançou, em Londres, uma campanha para que a ditadura de Hafez Al-Assad esclareça o que aconteceu com 65 mil pessoas, que foram sequestradas nos últimos quatro anos.
A guerra civil já matou 250 mil. Os sequestrados e desaparecidos são uma conta à parte. Uma coisa é prender pessoas que fazem oposição à ditadura. O que já seria um absurdo em termos políticos ou humanitários. Outra coisa é prender quem tem dinheiro e exigir que a família pague uma fortuna como resgate. Isso não é coisa digna de um governo. É coisa digna de bandidos. A Anistia Internacional qualifica todos os sequestros de crime contra a humanidade. Na média, desde o começo da guerra civil, são 1.300 sequestros por mês.
Existem casos de extorsão, como o de um cidadão que pagou 150 mil dólares para que o irmão dele fosse libertado. Pois o irmão continua desaparecido. Há também o caso de uma dentista que foi sequestrada com os quatro filhos pequenos. O menor deles tinha apenas dois anos. Quem sumiu primeiro na família foi o marido e o pai dessas vítimas, um médico e ativista pelos direitos humanos. Tudo isso é horroroso, é lamentável. A Síria é um dos mais antigos países do mundo. É uma terra quase toda desértica, muito árida. Mas dentro dela brotou muita civilização. A cidade de Damasco já foi um grande centro de irradiação do monoteísmo dos judeus e depois dos cristãos. Foi também uma plataforma para a expansão do islamismo. Damasco produziu muito conhecimento na Matemática e na Astronomia. Mas é hoje um país machucado pela ditadura e pela guerra. É um tablado em que Estados Unidos e Rússia têm uma presença militar perigosa. É como se dois países escolhessem a Síria para continuarem a brincar de guerra fria. E agora, com os 65 mil sequestros, a Síria é também um país da repressão e da bandidagem. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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