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Mercado continua demonstrando pessimismo

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O relatório Focus, semana após semana, vem trazendo previsões mais pessimistas. Mas o desta segunda trouxe alguns dados significativos. Foi a primeira vez que o mercado passou a prever inflação em dois dígitos para este ano - 10,04% - ; e no teto da meta, em 6,5%, no ano que vem. Isso é preocupante. Qualquer fato novo pode jogar a inflação pra nível ainda mais alto. Se a conversa sobre a volta da CPMF não avançar, por exemplo, o governo pode elevar a Cide sobre os combustíveis e a gasolina mais cara fazer a inflação chegar a 11%. E ainda tem o aumento de custos das empresas... a correção mais pesada de contratos... Um perigo. É a inflação se realimentando como já vimos no passado. Sendo que as projeções para a recessão também estão piorando. O mercado espera retração de 3,10% este ano e de 2% em 2016. Por trás dessa situação está a questão fiscal, a falta de uma reestruturação das finanças públicas. E aí não adianta pensar só em troca de ministro. Seja quem for que esteja à frente do Ministério da Fazenda, se quiser colocar a economia nos eixos, vai ter de fazer o ajuste fiscal. Levy fez o diagnóstico correto desde o início. O problema foi a execução. Propostas foram rejeitadas, alteradas, veio a queda de arrecadação e o resultado está sendo um rombo recorde das finanças. A dificuldade maior é a falta de consenso político e de uma determinação mais firme do próprio governo pra levar adiante reformas que mexam, até, com as limitações legais ao corte de gastos. Sair dessa crise vai ser um desafio para a classe política e toda a sociedade. Mas o jogo de interesses continua confundindo tudo. A preocupação em manter aberta a possibilidade de impeachment da presidente Dilma faz com que muitos ainda acreditem que quanto pior melhor. É preciso separar as coisas para que o País não mergulhe em uma crise ainda mais séria. No discurso, PMDB e PSDB parecem dispostos a assumir uma agenda mais positiva. Dilma disse que Levy fica. Mas é ver se na prática haverá mudanças mais relevantes no posicionamento político de todos os envolvidos. O governo, que fique claro, não é refém da situação. Está mais que na hora de abrir mão de questões, inclusive ideológicas, pra executar um ajuste eficiente, estrutural, que não fique dependendo de mais impostos. Com a estrutura viciada que temos, qualquer folguinha na arrecadação vai acabar acolhendo mais gastança. A volta da CPMF seria a compensação pra incapacidade de se promover cortes mais profundos nos gastos. Situação que vem sendo empurrada com a barriga há muito tempo. Mas que, por todo o atual ciclo negativo da economia, está chegando a um ponto insustentável. Eu volto na quinta. Até lá.
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