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Marielle assassinada, um pedaço do Brasil mostra a cara, e caráter…

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Comentário de Política, com Bob Fernandes.

"Marielle Franco, vereadora do PSOL, 38 anos, e Anderson Pedro Gomes, motorista, 39. Executados no Estácio, Rio. Nove tiros. Repercussão mundial.

A juiza/desembargadora Marília Castro Neves julgou, no Facebook: "Ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho (...) Mimimi da esquerda." Depois, sem desculpar-se, a juíza justificou: postou o que tinha lido "no texto de uma amiga".

Deputado da "bancada da bala", já réu por receber propina, postou injúrias contra a executada em busca de votos; por isso mesmo não nominado aqui. Depois apagou.

Mais de 7% de 4 milhões de posts continham lixo fácil. "Mimimi", "esquerdopata" e assemelhadas não são expressões-síntese. Isso é o máximo de inteligência e saber que certas porções do Brasil conseguem alcançar e expressar, quando não é falta de caráter.

Com incapacidade de raciocínio perguntam: por que defensores de direitos humanos não falam quando tantos morrem todos os dias? Falam. E muito. Mas há os que se recusam a ouvir e ver. Uns porque não enxergam, não ouvem quando os mortos são pobres, mulheres, pretos, homossexuais.

Outros porque estão matando ou defendendo os que matam nas quebradas sem lei. Marielle não se calou quando mataram policiais corretos. No ano passado, 43 lideranças sindicais assassinadas no Brasil. Assassinatos quase sempre protegidos pelo silêncio cúmplice e seguidos pela tentativa de difamação dos mortos.

Recordemos um assassinado tornado célebre, no Brasil e mundo depois de morto. O líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes. Assassinado na noite de 22 de dezembro de 1988.

Naquela noite, o Brasil parou para assistir quem matou. Não Chico Mendes, morto com tiros de escopeta. Mas Odete Roitmann, personagem da "novela das 8". A novela se chamava "Vale Tudo". Há 30 anos a pergunta-âncora daquele enredo era: "Vale a pena ser honesto no Brasil?".

Por 204 noites daquela novela, na canção-tema Gal Costa cantou Cazuza, quase gritando: Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...Brasil, qual é teu negócio, qual o nome do seu sócio."


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