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Irã perde a bomba, mas ganha com fim das sanções

Antigamente, o mundo festejava quando algum país passava a dominar alguma tecnologia. Pois hoje estamos todos festejando, mas por um motivo exatamente oposto. Isso porque foi firmado um acordo internacional, e por ele o Irã terá menos acesso à energia nuclear.

Irã perde a bomba, mas ganha com fim das sanções Antigamente, o mundo festejava quando algum país passava a dominar alguma tecnologia. Pois hoje estamos todos festejando, mas por um motivo exatamente oposto. Isso porque foi firmado um acordo internacional, e por ele o Irã terá menos acesso à energia nuclear.
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Vejam só que curioso. Antigamente, o mundo festejava quando algum país passava a dominar alguma tecnologia. Pois hoje estamos todos festejando, mas por um motivo exatamente oposto. Isso porque foi firmado um acordo internacional, e por ele o Irã terá menos acesso à energia nuclear. A causa é justa. Se o Irã mexer menos em centrífugas, para o enriquecimento do urânio, e em reatores, para a produção de eletricidade, ele também ficará bem mais longe da produção da bomba atômica. Era isso que queriam os países ocidentais. As negociações foram longas, mas muito longas. Demoraram nove anos, e começaram na Agência Internacional de Energia Atômica, um braço das Nações Unidas. De um lado, estava o Irã. Do outro lado, os Estados Unidos, a Alemanha e mais os quatro membros permanentes do Conselho de Segurança, que são a China, a Rússia, a França e o Reino Unido. Os técnicos da ONU tinham certeza de que o Irã estava construindo clandestinamente a bomba atômica. O governo daquele país impedia a inspeção dos fiscais da ONU, e ainda fazia compras suspeitas de material. Era cliente dos mesmos traficantes que permitiram a bomba atômica do Paquistão. Há uns vinte anos, o Irã queria ser o país mais poderoso, entre os islâmicos do Oriente Médio. E queria também proteger os xiitas. O rival iraniano era o Iraque. Mas depois os americanos invadiram o Iraque, e na prática destruíram as ambições iraquianas. O Irã ficou sozinho no meio de campo. Mas um dos planos que ele tinha era bem mais maluco. Poderia partir para cima de Israel. Pelo acordo de hoje, o Irã destrói dois terços das centrífugas, que enriquecem urânio. E se desfaz de 98 por cento de seus estoques de urânio enriquecido. Agora, sem a bomba atômica, o Irã não conseguirá ameaçar Israel ou os outros vizinhos. A república islâmica dos aiatolás perdeu a bomba, mas no fundo ela também sairá ganhando, porque a ONU vai suspender todas as sanções econômicas que tinham sido votadas contra ela. É assim que o gira.
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