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Inflação em queda eleva juros reais

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Inflação em queda eleva juros reais Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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A credibilidade do Banco Central, junto com a boa oferta de alimentos e a fraqueza da economia são responsáveis pela queda mais acentuada da inflação. O mercado, segundo o relatório Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, prevê um avanço do IPCA de apenas 3,64% este ano e de 4,33% em 2018, com queda de 0,07% agora em junho, deflação. Portanto a crise política, que poderia justificar uma cautela maior no corte dos juros, não vem tendo qualquer impacto sobre a inflação. Ao contrário. Na medida em que traz dúvidas quando ao andamento das reformas no Congresso e inibe decisões de investimento, leva à previsão de uma expansão mais moderada da economia. E a fraqueza da atividade, como temos visto, também segura a inflação, não dando muito espaço para remarcações de preços. Tem outra justificativa. Com as incerrtezas em relação ao cenário político e ao ajuste fiscal, o mercado cobra mais na rolagem da dívida do governo. O governo tem de pagar mais caro. Isso é fato. Só é bom lembrar que, com as projeções atuais de inflação, os juros estão subindo em termos reais. Se a taxa básica, hoje em 10,25%, cair para 8,5% até o final do ano, como ainda se espera, a margem real já vai subir. Se a taxa cair menos, sobe mais. Claro que as incertezas sempre podem gerar volatilidade no mercado, especialmente do dólar, o que pesaria na inflação. Mas nem isso tem acontecido. O dólar saiu da faixa dos R$ 3,10, antes da delação da JBS, para algo ao redor de R$ 3,30. Não é que vai fazer a inflação mudar de trajetória. Sendo que o Banco Central tem credibilidade e condições de atuar no mercado, como até vem fazendo, pra segurar eventuais pressões. Manter os juros em um nível mais alto, por receio do que pode acontecer, provavelmente fará o País demorar mais pra engatar uma retomada mais firme, que ajude a minimizar problemas, como o desemprego.E ainda pode ter reflexos negativos sobre o ajuste fiscal, tanto pela menor geração de impostos, com a atividade mais fraca, como pelo aumento da dívida pública. Juros mais altos elevam o custo da captação de recursos e da rolagem da dívida. O Banco Central deveria aproveitar a brecha dada pela inflação pra manter o mesmo ritmo dos juros, até pra tentar quebrar um pouco esse mecanismo que faz o Brasil ter juros muito acima da média internacional, com ou sem crise. Eu volto na quinta. Até lá.
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