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Inflação e juros em rota de queda

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A inflação vem rodando num nível muito baixo, favorecida, principalmente, pela deflação dos alimentos, que começam a sair do campo negativo. Isso deve trazer alguma pressão sobre os índices, fora o aumento das tarifas, como a bandeira vermelha de nível 2, nas contas de luz, e o ajuste anunciado pela Sabesp, nas contas de água, em São Paulo. Vale notar que, mesmo com essas pressões, a inflação no fechamento do ano deve ficar ao redor de 3%, garantindo mais cortes da taxa básica de juros. Não com a mesma intensidade das últimas reuniões do Copom, do Comitê do Banco Central, mas a taxa selic ainda deve cair, pelo menos, 0,75 ponto percentual na reunião deste mês e meio ponto na de dezembro, fechando 2017 em 7%. Alguns analistas até defendem um corte maior. Só que a postura do Banco Central tende a ser de cautela. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, e documentos da instituição têm apontado uma freada no ritmo de corte dos juros. No ano que vem, provavelmente, a inflação não vai ficar tão baixa como neste. O mercado prevê 4,02%, ainda abaixo da meta de 4,5%, mas vai ser um ano de eleições, que podem trazer mais pressões sobre o mercado, o dólar e a própria inflação. E ainda tem a esperada retomada da atividade econômica. Em 2017 a economia está saindo da recessão, com um crescimento modesto, que deve ganhar força em 2018. Sendo que a reação da atividade pode dar espaço pra recomposição de preços em alguns setores, como já vem ocorrendo, de forma bem gradual, nos serviços. Se a pressão for maior que a esperada, o Banco Central pode ter de voltar a elevar os juros, o que não seria positivo, até do ponto de vista das expectativas. Por outro lado, tem a questão do fluxo de investimentos. Com a economia brasileira em reestruturação, tendo de vencer o desafio das reformas e do ajuste fiscal, uma redução mais forte dos juros pode afastar o investidor estrangeiro, pelo fator risco. O ganho aqui tem de compensar as incertezas da economia e da política. Mas pra uma economia que pouco tempo atrás chegou a ter inflação de dois dígitos, com juros básicos em 14,25% ao ano, as condições atuais são bem mais vantajosas. Essa trajetória de queda da inflação e dos juros já é um estímulo importante ao consumo e à atividade, mesmo sem um corte mais substancial das taxas na ponta final, no crédito. Boa noite.


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