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Incertezas pesam sobre o mercado brasileiro

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Incertezas pesam sobre o mercado brasileiro Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O mercado mundial, não apenas o brasileiro, está sendo pressionados pela expectativa de um cenário menos favorável em 2019, especialmente no que se refere ao crescimento global.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China pode afetar até a expansão da economia americana, que já começa a mostrar uma certa perda de ritmo. A OCDE, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, até divulgou um estudo, cortando a projeção de expansão da economia mundial de 3,9% para 3,7%. Em relação ao Brasil a projeção caiu de 2,5 para 2,1%, pelas incertezas quanto ao encaminhamento de reformas, como da Previdência, que podem garantir a reestruturação da economia e as condições para uma retomada mais consistente e prolongada.

O desequilíbrio das finanças públicas é uma fonte de desconfiança em relação ao Brasil, que pode prejudicar o fluxo de investimentos, além das decisões dos agentes locais. Os empresários brasileiros também aguardam uma sinalização mais clara do que poderá acontecer em termos de reformas, para terem maior segurança quanto ao potencial de recuperação da economia. Até contratações, além de investimentos, são adiadas em função disso.

Não dá pra esperar reação mais forte do mercado de trabalho, como a que temos vimos, por exemplo, no Caged, enquanto o empresariado não acreditar, mesmo, na expansão da atividade. Importante acrescentar que, independentemente de uma possível freada na expansão da economia dos Estados Unidos, o ritmo atual, combinado com o desemprego muito baixo, pode gerar pressões inflacionárias e, por isso, o Federal Reserve, o Banco Central de lá, mantém a indicação de mais elevações dos juros. Outro fator de pressão para os mercados, pelo risco de desvio de investimentos para títulos americanos, considerados de risco zero.

O Brasil, que já tem sérios desafios pela frente, pra colocar a economia nos eixos, terá de fazer frente a um cenário externo, provavelmente, mais adverso e com possibilidade de menor fluxo de recursos financeiros. Portanto, por mais que o mercado aqui esteja confiante quanto às perspectivas da economia brasileira com o próximo governo - e o movimento da Bolsa e do dólar nos últimos tempos têm deixado isso evidente - é difícil escapar da maré negativa que vem de fora. Boa noite.
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