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Há dúvidas no acordo Embraer-Boeing

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Há dúvidas no acordo Embraer-Boeing Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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As ações da Embraer caíram mais de 14% após o anúncio da joint venture. O tombo parece confirmar aquela velha expressão muito usada pelo mercado, de que a Bolsa sobe no boato e cai no fato. As ações tiveram valorização de mais de 60% desde que foi anunciada a possibilidade de acordo com a Boeing. Agora, com a confirmação, pelos menos, das intenções, houve esse ajuste, até pra adequação às condições mais concretas. O acordo em si foi bem recebido. Se espera que a Embraer possa garantir maior espaço no comércio internacional, com muito mais competitividade, ampliação dos investimentos, novas tecnologias, acesso a financiamento mais barato, aumento da produção. Potencialmente é essa a expectativa. Mas, entre outros fatores que levaram à reação negativa, de hoje, do mercado, se esperava um valor de avaliação da operação maior que os 4 bilhões e 750 milhões de dólares, definidos para a formação da joint venture, com participação da Embraer maior que os 20%.. Há dúvida também quanto à destinação dos 3,8 bilhões de dólares que irá receber pelo acordo. E, ainda, como vai ficar a golden share, a ação especial que garante ao governo o poder de veto em decisões estratégicas, qual a influência que poderá ter no encaminhamento do acordo que só deve ser concluído no final de 2019. Sem esquecer que o BNDES é acionista. Faltam maiores detalhes também quanto à operacionalidade da área de defesa da Embraer, que deve ter gestão separada da comercial. A Boeing terá o controle operacional e de gestão da nova empresa no segmento da aviação comercial. Mas haverá investimentos conjuntos na comercialização global do KC 390, assim como nas áreas de pesquisa e desenvolvimento de suprimentos. As duas empresas já têm até um centro de pesquisas de biocombustíveis para aviação. Em meados do segundo semestre, a documentação definitiva do acordo deverá ser apresentada para aprovação pelo governo e, depois, pela assembléia dos acionistas. Posteriormente, ainda haverá necessidade de aprovações regulatórias nos países onde as empresas operam. Há um longo processo pela frente. Mas as indicações do ponto de vista da Embraer, em princípio, são muito favoráveis.
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