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Governabilidade está comprometida

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O mercado não tinha um dia tão tenso desde a crise de 2008. É a preocupação com o que pode acontecer com a economia. O presidente Temer até tem uma certa razão ao dizer que seu governo viveu o melhor momento nesta semana. Isso não quer dizer que tenha sido um ótimo momento. Longe disso. Mas, a inflação prevista abaixo de 4% dava espaço pra taxa básica de juros cair para até 7,5%. Vinha avançando nas articulações pra aprovar as reformas das leis trabalhistas e da previdência, o que poderia facilitar o ajuste das contas públicas. Vários indicadores apontaram o fim da recessão no primeiro trimestre. Até o Caged mostrou números positivos de contratações com carteira assinada. As denúncias comprometem essa melhora. Não há mais condição de avanço das reformas. O mercado, pressionado, vai afetar a economia. O dólar pode pesar na inflação, fazendo o Banco Central segurar o corte dos juros. Esse ambiente incerto ainda afugenta os investimentos produtivos, como nas concessões de infraestrutura. Enfim, a confiança de retomada ficou pra trás. Agora é aguardar o desfecho da crise política. Nada garante que Temer continue. E a condição de governabilidade já está comprometida. Saindo, qual será o perfil do novo governante? A equipe econômica, reserva de credibilidade de Temer, continua? Essas incertezas vão manter a tensão do mercado. Tanto que a queda da bolsa e a alta do dólar voltaram a ganhar força depois de Temer declarar que não ia renunciar. O mercado começava a contar com uma solução mais rápida. Não que isso possa trazer tranquilidade. Mas, pelo menos, pode evitar uma agonia mais demorada. O estrago está feito. A imagem de Temer foi afetada e com ela a do País, assim com a chance de seguirmos com a restruturação da economia. O Banco Central tenta minimizar a pressão do dólar, com uma venda atípica de contratos de câmbio. A capacidade de interferência é limitada. Assim como a do Tesouro, de conter a pressão de alta dos juros de mercado. Suspendeu hoje a venda de títulos e depois anunciou leilões de compra e venda os próximos dias. Vai pagar mais caro. O risco Brasil voltou a crescer. Na gestão dos investimentos é bom ter cautela. Comprar dólar só se for precisar nos próximos dias. Nas aplicações atreladas aos juros, melhor ficar com as pós fixadas. A bolsa promete fortes emoções. Mais uma vez estamos em água revoltas, sem saber se e quando vamos chegar na praia. Eu volto segunda. Até.


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