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Fim dos protestos em Hong Kong deixa uma lição

A democracia está de luto. A polícia chinesa desalojou hoje de manhã os manifestantes, que há onze semanas ocuparam o centro daquele território.

Fim dos protestos em Hong Kong deixa uma lição A democracia está de luto. A polícia chinesa desalojou hoje de manhã os manifestantes, que há onze semanas ocuparam o centro daquele território.
Vou falar hoje sobre Hong Kong. A democracia está de luto. A polícia chinesa desalojou hoje de manhã os manifestantes, que há onze semanas ocuparam o centro daquele pequeno território. Os manifestantes exigiam que a ditadura de Pequim não exercesse o poder de veto aos candidatos que vão concorrer em 2017 ao governo local. O protesto já estava esvaziado. Chegou a mobilizar mais de um milhão entre os sete milhões de pessoas que habitam aquela região no sudeste da China. A polícia cercou hoje as ruas ao redor do Almirantado e disse que prenderia quem insistisse em ficar no local. Muita gente importante acabou sendo presa. É gente desconhecida para nós, brasileiros. Mas vou, assim mesmo, citar os nomes deles. Há o fundador do Partido Democrático, Martin Lee. Há o líder estudantil Nathan Law. Há a cantora popular Denise Ho. E o empresário da mídia Jimmy Lai. Estão todos na cadeia. Hong Kong sempre foi território chinês. Os ingleses o tomaram à força e o devolveram à China, em 1997. Uma das condições para a devolução era a de manter a democracia. De certa forma, essa condição continua a ser mais ou menos respeitada. Em Hong Kong a internet não é censurada. Os jornais podem criticar o governo. A vida cultural é muito agitada. Tem literatura sem censura. Tem show de rock. Mas os habitantes de Hong Kong convivem com uma liberdade política apenas parcial. Acaba prevalecendo a vontade de Pequim, onde a ditadura já foi comunista e hoje administra um capitalismo agressivo. O final do protesto em Hong Kong foi patético. É uma boa lição para os chineses de Taiwan, que não querem se incorporar à China continental para não perderem a liberdade. É também uma lição para as regiões que lutam pela autonomia, como o Tibete, a terra do Dalai Lama. A moral da história é que ditadura é ditadura. Sem um bom aparato militar, é bobagem querer dar murro em ponta de faca. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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