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As eleições na Suécia

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Vou falar hoje da Suécia, esse país de apenas 10 milhões de habitantes. Menos gente que a cidade de São Paulo, embora tenha o tamanho da Espanha. Mas é um país em que tudo funciona perfeitamente, onde a qualidade de vida, os serviços públicos impecáveis e as questões de igualdade social começaram a ser resolvidas há 94 anos, quando o partido social democrata começou a governar. Nesse próximo domingo, temos as eleições para renovar as 349 cadeiras do parlamento sueco. Mas a votação da social democracia, que foi de 31 por cento há quatro anos, deverá cair para 25 por cento. E para quem esse partido vai perder espaço? Pois será para os nacionalistas de extrema direita, que, segundo as pesquisas, terão 18 por cento dos votos. Eram só 8 por cento há oito anos, e 13 por cento nas legislativas de 2014. A ascensão dos nacionalistas se justifica pelo medo dos imigrantes. Em 2015, quando a Europa testemunhou a chegada maciça de refugiados da Síria, a Suécia recebeu 163 mil. E no ano seguinte, foram mais de 190 mil. Foi o país europeu com o maior desembarque de refugiados, proporcionalmente à população. Mas por causa desses estrangeiros não há nenhum risco de desequilíbrio demográfico. Não houve aumento da criminalidade, e não se criaram bolsões urbanos de pobreza. Por que é, então, que a extrema direita está crescendo? A resposta é simples. Ela põe medo nos eleitores, e eles reagem como se a velha Suécia cristã estivesse às vésperas de entrar em colapso, em razão dessa presença maciça de muçulmanos. Objetivamente, isso é uma grande bobagem. Mas o medo acaba prevalecendo. O medo gera insegurança sobre a preservação da identidade nacional. É empurrado por essa mentira que quase um quinto do eleitorado sueco deverá votar depois de amanhã. É assim que o mundo gira. Boa noite.


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