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Eleição no Paraguai não afetará empresas brasileiras

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"Prestem atenção para um nome. Ele se chama Mario Abdo, e com certeza vai ser eleito, neste domingo, presidente do Paraguai, para os próximos cinco anos. O pai de Abdo foi secretário particular do ditador Alfredo Stroessner, que aterrorizou o país por 35 anos e foi derrubado em 1989. Mas o candidato à presidência não flerta nem com a ditadura, e nem com o autoritarismo.

Num Paraguai de menos de 7 milhões de habitantes e com um quarto da população na pobreza, a democracia representativa é um instrumento político suficiente para manter as desigualdades sociais. Mario Abdo aparece nas pesquisas com 25 pontos na frente de Efraín Alegre, que vem a ser, também, um partidário da livre iniciativa e de um sistema de impostos muito baixos, para atrair investidores estrangeiros, sobretudo os do Brasil.

As empresas no Paraguai pagam apenas uma taxa de 10% sobre os lucros. E não há, como por aqui, um cipoal na legislação tributária. É por isso que empresas brasileiras mudam de mala e cuia para o país vizinho, e não perdem as vantagens de exportar para o Brasil, isso pelos canais do Mercosul.

Se vencesse as eleições, o azarão Efraín alegre imporia uma taxa sobre as exportações de soja, produto em que o Paraguai é o quarto exportador mundial. Mas Mario Abdo e o partido dele, o colorado, são contra mexer nos impostos. Além do presidente e de 17 governadores, os paraguaios vão também eleger 45 senadores e 80 deputados.

É no Congresso que as esquerdas podem ter uma presença maior. Elas são lideradas pelo bispo católico Fernando Lugo, que foi eleito presidente em 2008, mas que sofreu impeachment quatro anos depois, por causa de uma sangrenta repressão a uma disputa de terras.

Uma última observação. Se o Paraguai fosse um pouquinho mais sensato para superar as desigualdades, bastariam programas sociais financiados com o dinheiro que o Brasil entrega mensalmente, para pagar a eletricidade produzida pela Itaipu Binacional, que pertence a eles e ao Brasil. É assim que o mundo gira. Boa noite."


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