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Ebola: contra uma epidemia, não bastam médicos e remédios

Confira o conteúdo exclusivo da TV Gazeta - Ebola: contra uma epidemia, não bastam médicos e remédios

Ebola: contra uma epidemia, não bastam médicos e remédios Confira o conteúdo exclusivo da TV Gazeta - Ebola: contra uma epidemia, não bastam médicos e remédios
Vamos falar da epidemia do Ébola. Temos diariamente coisas importantes. Hoje foi a internação, na Alemanha, de uma paciente que teve contato com contaminados. E, também voltaram à quarentena 17 pacientes que tinham escapado, na Libéria. A Organização Mundial da Saúde já acendeu o sinal vermelho. As coisas vão mal no litoral atlântico da África. Já são quase
1.200 mortes. Vocês poderiam argumentar que é quase normal, porque são populações pobres, que vivem em condições sanitárias deploráveis. E que não têm uma boa rede de saúde pública. Mas isso é parte do problema. Contra uma epidemia não bastam médicos ou medicamentos. É também necessária uma boa polícia. A epidemia suspende direitos democráticos que nos são sagrados, como a liberdade de trabalhar, ou de ir e vir. A comunidade em que foi detectado um caso deve imediatamente ser confinada, num regime de quarentena. Por bem ou na marra. Esse jeito autoritário começou na Europa no século 14, quando nem se falava em democracia. A peste bubônica matou 50 milhões de pessoas. Entre a metade e um terço da população europeia. O historiador e filósofo Michel Foucault disse que foi naquela época que nasceu o Estado policial. As autoridades sabiam o nome de cada pessoa de cada domicílio. Faziam diariamente a chamada. Se alguém não aparecesse na janela para responder, já iam estendendo um escorregador para que o doente fosse levado para morrer bem longe. A peste bubônica está na memória da humanidade. Foi horrorosa. Depois dela, a que mais matou foi a gripe espanhola, há quase cem anos. Ela matou em 1919, aqui no Brasil, até o presidente da República, o Rodrigues Alves. O fato é que entramos em pânico com a chegada de cada epidemia. Aconteceu com a Aids, no comecinho dos anos 80. Aconteceu há cinco anos com a chamada gripe suína. Estamos hoje mais protegidos em termos médicos para impedir que um vírus acabe com a humanidade. Mas uma epidemia é imponderável. Muita gente não sai vivo dela. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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