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É preciso um corte maior na taxa de juros

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

É preciso um corte maior na taxa de juros Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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A ata divulgada hoje indica uma boa possibilidade de o Comitê do Banco Central acelerar o corte dos juros na próxima reunião, em abril. A questão é que o BC já trabalha com previsão de inflação abaixo do centro da meta. Está mais otimista que o mercado. Enquanto o mercado prevê o IPCA em 4,36% este ano, o Banco Central projeta 4,2%. Para 2018, espera 4,5%, que é o centro da meta. Pra se ter uma idéia de como as projeções estão confortáveis, se a selic continuasse em 12,25%, a inflação deste ano chegaria a 3,8% e do ano que vem em 3,3%. São cálculos matemáticos, mas com boas chances de acerto, mesmo com os consumidores ainda reclamando de aumento de preços. São as projeções para os índices, que são uma média de preços. E essas projeções estão bem mais favoráveis, até pela fraqueza da economia, que não dá muita margem para reajustes. Sem esquecer da boa oferta de alimentos, que tende a segurar reajustes e até do dólar que, mesmo com ajustes pontuais, vem correndo em nível bem mais baixo que se previa, o que colabora para o cenário mais benigno de inflação O próprio BC fala na possível antecipação do ciclo de cortes, levando em conta o andamento da economia. Por mais que se espere uma situação melhor, os dados negativos continuam saindo. Só pra ficarmos no noticiário de hoje, tivemos anúncio de mais desemprego no setor de serviços, queda das vendas de carros e redução linhas de celulares. Tudo isso é um termômetro das dificuldades de uma reação mais firme do consumo, que poderia trazer pressões inflacionárias. A própria ata coloca que a possível intensificação do corte dos juros dependerá da evolução da atividade econômica. Só que também fala em fatores de risco. Para este ano, a situação parece garantida. Mas o BC trabalha com visão de mais longo prazo e quer a confirmação do cenário também pra 2018, 2019. Porque qualquer mexida nos juros têm influência vários meses à frente. Em algum momento a economia e o consumo devem reagir, o desemprego parar de aumentar e, mais que isso, começar a cair. Pelo cenário que temos hoje, na verdade, o Banco Central já deveria ter cortado mais a taxa básica. Tem de haver um corte real, maior, além da inflação, para impulsionar uma melhoria das condições do crédito, que é o que pode fazer diferença mesmo na vida dos consumidores e das empresas. Os dados atuais ainda não dão maior ânimo quanto à retomada da economia. Eu volto na segunda. Até lá.
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