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Custo Brasil ainda afeta as exportações

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Custo Brasil ainda afeta as exportações Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O acordo entre Estados Unidos, México e Canada, traz certo alívio no âmbito global porque, sem o acerto, poderia haver uma ruptura do bloco, com desdobramentos mais sérios.

As mudanças não são muito significativas. Afetam mais o México. Há exigência, por exemplo, de maior conteúdo local na fabricação de carros, o que pode até reduzir as vendas de peças do Brasil. Mas, no geral, é mais marketing. É Trump mantendo a promessa de colocar a América em primeiro lugar. Quanto à possibilidade de ele mudar o foco para o Brasil, que disse ser um dos países mais duros no comércio, na verdade, o superávit brasileiro, além de pequeno, já tem caído bastante.

No ano passado ficou em pouco mais de 2 bilhões de dólares. Neste, até setembro, chegou a 44 milhões. As importações dos Estados Unidos estão crescendo bem mais que as vendas pra lá. Aliás, é um movimento geral da balança brasileira. Tanto que o superávit comercial, em setembro, mesmo sendo o segundo melhor da série histórica, caiu 4%, para US$ 4,970 bilhões, e recua quase 20% no acumulado do ano, somando cerca de US$ 42,6 bilhões.

A vantagem maior é nos combustíveis e lubrificantes. Commodities, em geral, têm até tido queda de cotação no exterior, como a soja. E, do lado dos manufaturados, o Brasil ainda tem sérios problemas de competitividade. O aumento do dólar, que não foi pequeno este ano, tende mais a segurar as importações do que favorecer as vendas externas. Aliás, com a expansão da economia que se previa no começo do ano, na faixa de 3%, a importações deveriam ter crescido bem mais, pelo aumento da demanda doméstica e dos investimentos. Expectativa que fica para 2019.

Esse cenário mostra bem que só o dólar mais alto não garante maior espaço para as exportações do País. As exportações ainda sofrem as consequências de tudo mais que entra no chamado Custo Brasil, desde o baixo nível de investimentos das empresas e em infraestrutura, até os problemas de logística, deficiências da mão de obra e carga tributária.

Falta muito para o Brasil ter maior peso no comércio global de manufaturados. Boa noite.
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