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Brasil e Argentina têm problemas diferentes

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.

Brasil e Argentina têm problemas diferentes Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.
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"Houve uma crise do dólar e a Argentina foi ao FMI. Para quem é adulto faz algum tempo, parece uma lembrança de velhos e péssimos carnavais.

Nessas épocas, muitas vezes o Brasil tinha uma crise parecida. Mas desde o começo dos anos 2000 não é assim.

Ainda mal saímos da recessão, é verdade. Mas nossos problemas são diferentes dos problemas dos hermanos argentinos. Os problemas deles também são mais agudos.

Para falar do interessa mais imediatamente. A crise argentina vai nos afetar? Pelo que se pode ver agora, quase nada. É verdade que a Argentina compra alguns dos nossos produtos, como carros, uma indústria que estava se recuperando mais rápido no Brasil.

Mesmo assim a Argentina não vai entrar em colapso total e o efeito nas exportações brasileiras vai ser pequenos.

A Argentina poderia nos contaminar por ser nossa vizinha e parceira de crises passadas, quando éramos colocados no mesmo saco. Mas se sabe que os problemas argentinos e brasileiros são muito diferentes. Não temos crise externa, de falta de dólar, crédito no exterior.

O governo da Argentina está no vermelho, como o do Brasil. Gasta mais do que arrecada, ainda mais que o do Brasil. Mas, lá, o governo tem de pedir dinheiro emprestado no estrangeiro, em dólar, para cobrir o buraco. Aqui, não, o mercado doméstico tem certa crença no governo e empresta dinheiro, em reais.

Nos últimos dois anos, a dívida externa argentina cresceu muito. Mas o dinheiro no mundo está ficando mais caro e escasso, porque os juros sobem nos Estados Unidos.

Há, pois, o risco de a Argentina não conseguir arrumar dinheiro nem cobrir as contas do governo nem a dívida externa das empresas.

Na dúvida, os donos do dinheiro começam a sair da Argentina. Por causa disso, o peso se desvaloriza rápido. É um sintoma de que vai faltar ainda mais dinheiro. A crise vira uma bola de neve.

Antes de quebrar, de ficar sem empréstimos, o governo da Argentina foi ao FMI pedir dinheiro. Indo ou não ao FMI, o governo teria cortar mais o gasto do governo. O governo de reformas liberais de Maurício Macri vai ter problemas para continuar seu programa."
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