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Bob Fernandes / Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis"

As linguagens revelam os humanos em seu Tempo. Revelam inclusive quando buscam esconder. Não seria diferente no Brasil, ainda mais no ano eleitoral de 2014.

Bob Fernandes / Quem são os "bandidos", os "ladrões", "quadrilhas" ou "cartéis" As linguagens revelam os humanos em seu Tempo. Revelam inclusive quando buscam esconder. Não seria diferente no Brasil, ainda mais no ano eleitoral de 2014.
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As linguagens revelam os humanos em seu Tempo. Revelam inclusive quando buscam esconder. Não seria diferente no Brasil, ainda mais no ano eleitoral de 2014.

De maneira consciente ou não, cada palavra, cada imagem tem um sentido. Tanto faz se em relação às ações de partidos, de personagens, ou de escândalos.

Cada expressão, cada imagem aponta para as escolhas de quem faz o uso da linguagem. Vamos a alguns exemplos do momento, já que o ano exige atenção à linguagem.

"Rodízio", como sabemos, se dá em relação a churrasco, pizza, placa de automóvel... Quando usado em relação a racionamento de água, indica intenção de esconder.

Já "Racionamento" é quando o adversário é responsabilizado pela falta de algo. Energia, por exemplo. Mesmo que hipótese ligada ao futuro, ou a fato passado.

Assim, se for amigo é "Rodízio". Se for adversário é "Racionamento". O mesmo se aplica a "bandido", "gatuno", "quadrilheiro"...

Não há chance do uso de tais definições contra amigos. Será, sempre, contra alguém do outro lado. "Acusação sem provas": Essa, se usa só para partido ou personagem do coração.

Quando é "inimigo", vale "corrupção", "ladrão", expressões que terminem em "ão". Se for agremiação da prefrência , se usa o eufemismo "formação de cartel".

"Propinoduto" é obra do adversário. Os do peito são "investigados por supostas irregularidades". Adversário não merece o "suposto". Adversário "É". E ponto.

Como se sabe, não existe "corruptor" no Brasil, e não importa a cor partidária. Existe "operador". E "suborno" é ato exclusivo do adversário; amigos recebem "comissão".

Do governo alheio se mostra o número dos "assassinatos". No dos amigos usa-se, também , o "latrocínio". Assalto seguido de morte, "latrocínio" dá uma mãozinha na estatística.

"Quadrilha", "organização criminosa", é, sempre, o "inimigo". Os amigos são vitimas de "politização" e, sempre, "negam as acusações".

Quando amigos são presos houve "espetacularização" na ação policial. Quando o preso é adversário é "Operação", e com o nome de batismo.

Ainda escolhas: para uns se usa "vândalos"; aqueles que praticam o "vandalismo". Em outros se percebe apenas a "ação de manifestantes". Ou, de "ativistas".

O "inimigo" "sonega milhões em impostos", "assalta o tesouro" e "empobrece o país". Quem pode, e manda, apenas erra. Ou, faz "planejamento tributário".
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