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Ataque dos EUA na Síria é o ator Trump em ação

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Ataque dos EUA na Síria é o ator Trump em ação Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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A pergunta que se deve fazer é a seguinte - qual é a lógica de Donald Trump, ao lançar os 59 mísseis Tomahawk, que destruíram, na madrugada desta sexta-feira, a base síria de Al Shayrat? Minha resposta é simples. Trump é um temperamental. Ele quis satisfazer os eleitores americanos, que ficaram escandalizados, e com toda a razão, com filmes e fotos que circularam nas redes sociais. Eram imagens de cadáveres de crianças, assassinadas pelas armas químicas, que o ditador Bashar Al Assad despejou terça-feira, numa cidade em poder dos rebeldes. O bombardeio de hoje deixou os americanos com a alma lavada. Mas os mísseis não pesam em nada, em absolutamente nada, no desfecho da Guerra Civil da Síria, que já dura seis anos, que já matou 360 mil civis, e já provocou uma situação caótica de refugiados, no Líbano, na Jordânia e, em menor escala, na Europa. Trump é um ator que interpreta para a plateia dele. É espantoso que ele não tenha sequer consultado o Congresso americano. Ou tentado discutir essa resposta militar nas Nações Unidas. A consequência imediata é que azedaram as relações dele com a Rússia. Esse é um eixo delicado para a paz internacional. A Rússia ficou melindrada. Prometeu dotar as bases sírias de um sistema antiaéreo, com centenas de mísseis. E com isso vai reforçar a ditadura de Bashar Al Assad. O ditador não precisava disso. Está em posição de superioridade na Guerra Civil. Mas anteontem os Estados Unidos afirmaram que entraram no jogo para forçar a queda de Assad. Ninguém duvida que esse cidadão é frio e sanguinário. Já matou 1.400 civis, só com armas químicas, em agosto de 2013. Mas se ele cair, ele deixa um espaço vazio. E o medo das potências ocidentais é que esse espaço seja ocupado por radicais muçulmanos. Por exemplo, pelo Estado Islâmico, que é tudo menos uma organização filantrópica. Vejam então o absurdo. Os eleitores de Trump e os canalhas do Estado Islâmico estão hoje andando de mãos dadas. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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