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Americanos e israelenses temem programa nuclear do Irã

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Americanos e israelenses temem programa nuclear do Irã Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

"Será que o Irã está construindo uma bomba atômica? A resposta é, não. Até 2015, a república dos aiatolás tinha um projeto muito claro para chegar até a bomba. Mas, por causa disso, sofreu do Ocidente sanções, que quase quebraram a economia do país.

Então, há três anos, o Irã negociou um acordo com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e mais a Alemanha. Desde então, todas as instalações nucleares do Irã são periodicamente visitadas por inspetores da AIEA, que é a Agência Internacional de Energia Atômica.

Pois bem, o último relatório da AIEA foi divulgado ontem. E os inspetores dizem que o Irã continua muito bem-comportado. Acontece que, desde o ano passado, Donald Trump ameaça denunciar o acordo de 2015 e argumenta que ele foi muito tolerante quando se fala de mísseis de longo alcance e terrorismo. Israel imediatamente se juntou ao presidente dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sabe que o território israelense está ao alcance de mísseis iranianos. Mas esse negócio de terrorismo é bem relativo. Os americanos e israelenses qualificam de "terrorista" o Hizbollah, que é uma milícia religiosa favorável ao Irã e que participa da Guerra Civil da Síria, contra o Estado Islâmico e ao lado da ditadura de Bashar Al Assad.

Trump deu um prazo até março para que China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha adotem sanções mais duras contra o Irã. Mas o tiro pode sair pela culatra. O Irã pode muito bem denunciar o acordo de 2015 e partir para a bomba atômica. Isso daria um poder de fogo excepcional para a única potência xiita do Oriente Médio e da região do Golfo. Os americanos não querem isso. Israel também não. E para a Arábia Saudita, que é sunita, o fortalecimento militar do Irã é um pesadelo.

A questão então não é apenas nuclear. Ela consiste em limitar a ameaça xiita numa região em que os sunitas são maioria e têm até medo, vejam vocês, de uma guerra nuclear religiosa. É assim que o mundo gira. Boa noite."
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