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2019 deve ser ano de ajustes nas finanças

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

2019 deve ser ano de ajustes nas finanças Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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2018 vai ser um ano fraco. A economia, que já não vinha com a performance esperada, foi atropelada pela greve dos caminhoneiros, com danos para todos os lados. A projeção de crescimento que passou de 3% hoje está em 1,5. E a política tem atrapalhando bastante, não só pelas eleições. Também tem a insegurança das decisões do Congresso, até da Justiça.

São as pautas bomba piorando as finanças, impasses em torno de questões como o leilão das distribuidoras de energia. Não há segurança institucional. Projetos de investimento e iniciativas do próprio governo podem travar pelos mais diversos fatores.

Somando a esse quadro a fraqueza do mercado de trabalho e as incertezas relacionadas às eleições, temos um cenário dos mais adversos à retomada mais vigorosa da atividade. O atual ritmo de reação já está sendo dos piores que o País teve após períodos mais longos de recessão. Pelos desafios que estão colocados, se tudo der certo, a reação mesmo só deve vir a partir de 2020.

O próximo ano ainda deve ser de pesados ajustes nas finanças, o que passa por reformas, como da Previdência e administrativa que, inevitavelmente, vão enfrentar resistências, ainda mais se tiverem a abrangência necessária, incluindo mudanças maiores no setor público.

Ao mesmo tempo devem ser estabelecidas condições mínimas para a recuperação dos investimentos e do emprego. É o que se espera, basicamente, da política econômica do próximo governo. A estratégia para o ajuste fiscal deve ser lançada logo de início. Mesmo que os resultados demorem um pouco, a percepção mais favorável, uma confiança maior, já podem fazer a economia andar melhor.

Mas só uma boa equipe e um bom projeto para a economia não são suficientes. Vimos isso agora, no governo Temer, que esbarrou nas próprias ineficiências e denúncias. O novo governo também terá de ter capacidade de articulação política pra driblar resistências e avançar com a agenda econômica, mas de uma forma diferente da que estamos acostumados. A população está cansada da velha política. E esse cansaço também pode impor resistências pesadas à agenda.
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