A Páscoa dos intolerantes

Por: Marcio Salles / Site TV Gazeta

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Páscoa é tempo de se esbaldar entre ovos, bombons, trufas e tudo mais que tiver a palavra chocolate escrita em seu rótulo. Mas nem todo mundo consegue aproveitar a época, e vive um período de ‘tortura’ por causa de algumas limitações: as alergias ou intolerâncias alimentares.

Isso porque as guloseimas, nesta época, ganham versões ainda mais audaciosas, e passam a conter alguns ingredientes que visam incrementar o sabor em sua composição. Um mínimo descuido pode causar um grande desconforto, ou até um problema mais sério.


Alergia ou intolerância?

Antes de mais nada, é necessário explicar o que são as alergias e o que são as intolerâncias alimentares.

De acordo com a nutricionista Dra. Susan França Guimarães, “na alergia há uma resposta imunológica imediata, isto é, o organismo cria anticorpos como se o alimento fosse um agente agressor e por isso os sintomas são generalizados pelo corpo”. Os sintomas mais comuns são coceiras pelo corpo, inchaço, falta de ar e queda de pressão arterial. Normalmente há histórico familiar de alergias a determinadas substâncias.

Já na intolerância alimentar o alimento não é digerido corretamente e, dessa forma, os sintomas surgem principalmente no sistema gastrointestinal, causando gases, vômitos e diarreia, por exemplo.

Veja mais exemplos sobre a diferença entre intolerâncias e alergias nesta matéria do programa “Mulheres:

 

Alimentos que provocam reações adversas

Veja abaixo uma lista de alimentos que podem causar alergias, ou que algumas pessoas possam ser intolerantes:

  • Lactose: algumas pessoas possuem deficiência ou ausência da enzima que quebra o leite no intestino. A intolerância pode causar náusea, gases, inchaço e diarreia. Existem casos de intolerância e alergia a este composto, portanto é preciso consultar um especialista para realização de exames e definição do tratamento mais adequado em cada um dos casos.
  • Amendoim, nozes, castanhas: as proteínas contidas nestes alimentos podem ser entendidas como “prejudiciais” ao corpo de algumas pessoas. Isso faz com que elas gerem anticorpos contra o alimento, e as reações no corpo podem ser severas: vômito, diarreia, chiado na respiração, urticária, coceira e inchaço da pele, olhos, nariz, boca e garganta podem ocorrer como resultado da reação alérgica.
  • Trigo e glúten: o recheio de alguns tipos de ovos é feito com uma pasta que utiliza farinha de trigo, amido de trigo ou malte de cevada – e os três contêm glúten. A doença celíaca, como é conhecida, é um distúrbio inflamatório crônico do intestino delgado que afeta 1% da população, e que as torna sensíveis ao glúten. Porém, cerca de 40% da população tem algum tipo de incômodo quando ingere tais componentes.
  • Soja: a lecitina de soja é usada como estabilizante na manufatura do chocolate. A alergia a soja é uma das alergias alimentares mais comuns, especialmente entre os bebês e crianças. Entre as principais reações estão o formigamento da boca, urticária, inchaço dos lábios e secreções nasais.
  • Milho: usado principalmente no chocolate branco sob a forma de xarope de milho. Entre as reações causadas pelo alimento, podemos ressaltar o inchaço de partes do corpo, cansaço excessivo, nariz entupido, dores de cabeça e no estômago.
  • Cafeína: é encontrado em quantidades baixas, mas ainda assim é um componente do chocolate. Vale ressaltar que o chocolate escuro tem mais cafeína do que o chocolate ao leite. Uma reação alérgica grave e potencialmente ameaçadora é rara e geralmente envolve sintomas como urticária, dificuldade em respirar e inchaço da face, lábios ou língua. Sinais mais comuns de uma alergia de cafeína podem incluir palpitações do coração, contrações musculares, ou dores de cabeça.
  • Aditivos: corantes, essências, conservantes, aromatizantes, entre outros. Com o objetivo de deixarem as comidas mais bonitas aos olhos e ao paladar, além de manterem seu sabor por mais tempo, estes compostos podem causar as famosas “bolinhas” pelo corpo ou placas avermelhadas, coceiras pelo corpo todo, inchaço no rosto, entre vários outros sintomas desagradáveis. As alergias a estes compostos, em casos mais severos, podem causar edema de glote (inchaço na garganta), resultando em falta de ar e até em asfixia.

 

Reações em crianças

É necessário tomar muito cuidado nesta época, em especial com as crianças. Além de mais sensíveis a determinados compostos, existem alguns alimentos que devem ser banidos da dieta dos pequenos até, no mínimo, os dois anos de idade.

O extrato de soja, por exemplo, pode causar alergia e deficiência nutricional durante os primeiros anos de vida das crianças. A lista de alimentos que possuem este composto inclui os sucos de soja, o tofu e, claro, o ovo de páscoa de soja.

O chocolate possui também oxalato de cálcio, uma substância que pode causar o aparecimento de cálculo renal no organismo. O excesso de gordura é um outro fator de atenção, podendo ser um dos principais aliados nos casos de obesidade infantil.

Para conhecer mais sobre os diferentes tipos de ovos de páscoa e suas calorias, assista a este vídeo do “Você Bonita”:

 

Opções de tratamento

De acordo com especialistas, a intolerância alimentar pode ser a causa de diversos problemas de saúde, como obesidade, cansaço, enxaqueca, eczema, prisão de ventre, arritmia cardíaca, inchaços pelo corpo, dores abdominais, entre outros.

Ao sentir estes sintomas, é necessário buscar ajuda profissional. De acordo com a Dra. Susan, há casos de alergia que podem ser curados por meio de tratamentos específicos de dessensibilização como, por exemplo, o uso de vacinas. Entretanto, não existem tratamentos comprovados cientificamente que eliminem as intolerâncias. O que se deve fazer é determinar a quantidade que o paciente tolera, ou restringir o alimento causador dos sintomas.

A restrição total a um determinado alimento, porém, deve ser feita com cautela. O paciente que precisar retirar um composto alimentar de sua dieta precisa fazer um acompanhamento para substituição nutricional com nutricionista e, em alguns casos, também com um alergista.

O tratamento de alergias e intolerâncias alimentares em crianças também precisa ter um acompanhamento mais próximo, pois a exclusão de alimentos pode levar a casos de anemia, desnutrição e falhas no desenvolvimento e crescimento.

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