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Mocinho ou vilão: como o smartphone impacta nossas vidas?

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A dependência digital provocada pelo uso constante de aparatos tecnológicos como os smartphones já é questão de saúde pública em alguns países, caso da Coreia do Sul e do Japão.

E há até uma proposta de inserção da nomofobia, que é o medo de ficar sem acesso ao smartphone e, consequentemente, sem conexão às redes sociais e websites, no Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria e utilizado como referência mundial no diagnóstico de doenças mentais.

O desempenho de quem não consegue desgrudar dos dispositivos móveis acaba sendo prejudicado, nos casos de nomofobia diagnosticada. Há interferências na produtividade acadêmica e profissional e mesmo sintomas físicos como angústia, falta de ar, nervosismo e suores causados pelo distanciamento do smartphone.

De acordo com Dora Góes, psicóloga do Programa de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, a urgência por estar conectado tem feito com que nos tornemos meros decodificadores de informação. Isso porque, diferentemente do que acontece com a mente de alguém que mantém hábitos como o de ler livros em papel, por exemplo, na de quem faz uso de telas digitais há mais motivos para tomadas de decisões rápidas do que tempo para refletir. Tem-se, assim, espaço para a ocorrência de transtornos ligados à ansiedade.

É a experiência de maior plenitude ao acessar conteúdos digitais que, em linhas gerais, leva ao desenvolvimento da dependência em estar conectado. A liberação de dopamina, hormônio responsável pelas sensações de prazer e saciedade, ajuda a entender esse quadro: “Há um reforço de atenção [referente ao meio digital] que se assemelha ao daqueles que são diagnosticados como alcóolatras ou compradores compulsivos. Vivemos em uma sociedade do espetáculo, em que há dependência de imagens e estímulo ao consumo desenfreado de informações e jogos em redes sociais e websites”, explica Dora.

Modo de usar

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2013, sobre as tecnologias da informação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em abril deste ano, o Brasil tem 73,9 milhões de pessoas proprietários de smartphones, sendo que as mulheres formam a maioria desses donos de aparelhos móveis no país, com 75,9%.

O acesso a esse bem material é mais comum entre os jovens, segundo a Pnad. Em 2013, 49,9% da população entre 10 e 14 anos tinha um smartphone, enquanto na faixa dos 25 aos 29 anos 87,3% possuía esse tipo de aparelho móvel. Já entre idosos com mais de 60 anos, o percentual atingiu 51,6%.

Recentemente, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), responsável por estabelecer ações estratégicas para o desenvolvimento da internet no país, divulgou que 82% das crianças e adolescentes com idade entre 9 e 17 anos utilizam smartphones para acessar a internet no país. Diariamente ativos na rede, 68% deles a utilizaram para fazer trabalhos escolares no mês anterior ao da pesquisa e 79% possui perfil próprio em redes sociais.

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Ter um smartphone por vezes é sinal de estar socialmente incluído. E a noção de pertencimento se mostra bastante forte, sobretudo quando pensamos no comportamento geral apresentado em blogs, nas mídias sociais e websites, uma vez que essa ferramenta tecnológica móvel permite àqueles que a detém criar ou reafirmar suas identidades frente aos demais.

E é na busca por identidade e identificação que pessoas de diferentes classes sociais, faixas etárias e situações econômicas podem se perder em meio ao estímulo por compartilhamento e consumo de informações. Mas, como fazer uso positivo desta tecnologia sem naufragar na infinidade de conteúdos publicados a cada nova conexão à internet?

Para o Prof. Dr. Luís Mauro Sá Martino, autor de diversos livros dedicados à área da comunicação, entre eles Teoria das mídias digitas – Linguagens, ambientes e redes, é importante lembrar que a tecnologia, sozinha, não deve ser considerada culpada pelos excessos, uma vez que os smartphones são apenas ferramentas com as quais podemos produzir conteúdo. O docente sugere uma comparação com a voz humana: “Nossa voz também não faz nada sozinha. Ela precisa que um ser humano com um cérebro cheio de ideias, razões, afetos e emoções faça alguma coisa para que essa voz possa permitir uma interação com outras pessoas. Então, assim como eu posso falar coisas legais, também posso xingar. Mas é preciso ter um ser humano utilizando a voz. O som não existe sozinho.”, explica.

Sendo assim, a tecnologia como potencial depende de quem a está operando. E ainda estamos aprendendo a conhecer e desenvolver as possibilidades criativas de aparatos tecnológicos que, em boa parte, estão presentes em nossas vidas há cerca de 20 anos – no caso específico dos smartphones, há menos de dez anos.

De acordo com o Luís Mauro, que também ministra aulas no curso de jornalismo e no mestrado da Faculdade Cásper Líbero, em termos de história ainda temos um curto espaço de tempo para analisar definitivamente o impacto da tecnologia na sociedade: “Demoramos um século para entender o que era a prensa. Quando Gutenberg inventou a imprensa não se sabia muito bem o que fazer com ela. Demoramos 50 anos para descobrir o que era a televisão e ainda não sabemos qual é a linguagem própria que ela possui. Estamos aprendendo a lidar com as mídias digitais e descobrindo qual o potencial delas para as relações humanas.”.

Educação digital

Partindo da premissa de um relacionamento ainda em construção, nossa sociedade aos poucos compreende como é viver em proximidade constante e também dentro de um isolamento acompanhado. Educar-se para estar em rede pode ser uma boa alternativa.”As mídias digitais são um ótimo instrumento de educação se formos educados para lidar com elas.”, opina o Luís Mauro.

exposicao-digital-estudante-smartphoneE onde é possível se educar para estar nas mídias digitais? Na cidade de São Paulo há equipamentos culturais que oferecem programações – em alguns casos gratuitas – dedicadas ao diálogo das pessoas com a tecnologia, ensinando desde como usar smartphones até oferecendo curadoria de conteúdo. Caso do Acessa São Paulo, da Biblioteca de São Paulo, das Fábricas de Cultura e do Sesc Internet Livre.

Desde a regulamentação do Marco Civil da Internet no Brasil (Lei nº 12.965/2014), a educação digital passou a ser uma exigência prevista em lei no sistema educacional brasileiro. No entanto, 95,6% das escolas paulistas não incluem aulas desta disciplina em seu currículo escolar, segundo pesquisa feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo entre os meses de fevereiro e abril de 2015.

O desconhecimento da maioria das instituições de ensino nos níveis fundamental, médio e superior colabora para dificultar o avanço brasileiro frente ao expressivo consumo de smartphones utilizados como suporte para acessar redes sociais e websites.

A educação digital prevê a capacitação para o uso consciente e responsável da internet como meio de se exercer a cidadania e promover a cultura e o desenvolvimento tecnológico. Tal qual o professor Luís Mauro, a psicóloga Dora Góes reforça a ideia do aprendizado sobre tecnologia: “Aprender a avaliar o conteúdo que se consome é essencial”, afirma.

Regular as horas passadas em redes sociais ou navegando em websites pode ser um desafio e tanto. Mas é por meio do equilíbrio entre a conexão via digital e as demais não digitais que determinaremos a influência das mídias digitais no dia a dia. Ter escolhas bem definidas pode ser de útil para descobrir o que é bom para você. Se ainda assim houver dificuldades para tirar os olhos da tela ou para deixar de checar notificações e e-mails assiduamente, o ideal é procurar por ajuda especializada.

Precisa de ajuda?

Grupo de Dependências Tecnológicas do Programa Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) – Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Dependência de Internet
Telefone: (11) 3069-6975

PRO-AMITI – Ambulatório integrado dos transtornos do Impulso
Telefone: (11) 2661-7805

Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Site oficial
Telefone: (11) 3862-6070

Instituto Delete – Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Site oficial
Telefone: (21) 98772-5080

Durante entrevista exibida em 22 de julho de 2015 no programa Todo Seu, o psicoterapeuta Leo Fraiman também abordou a interferência dos smartphones em nossa rotina. Assista: