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O que Hollywood perdeu durante a pandemia

Estúdios abalados. Grandes produções adiadas. Cinemas vazios. Hollywood está passando por uma grande perturbação como resultado da pandemia Covid-19. A paralisação da indústria do cinema, que fatura cerca de 8 bilhões de dólares por mês só nos Estados Unidos, acabou afetando toda a cadeia mundial de audiovisual.

Titãs dos negócios do entretenimento e mídia registraram perdas enormes, com mais prejuízos por vir. Tendências chocantes dessa indústria que deveriam ocorrer ao longo de vários anos – incluindo a migração de filmes dos cinemas para os serviços de streaming – aconteceram em poucos meses.

Plataformas diretas ao consumidor, como Netflix, Disney +, Amazon Prime Video e Apple TV +, claramente se beneficiaram, embora nem todos os serviços de streaming tenham experimentado o sucesso sob o bloqueio de 2020. A plataforma Quibi, por exemplo, focada em vídeos com duração reduzida, encerrou seus serviços em outubro passado, pouco mais de seis meses depois da sua estreia.

Mas não há dúvida de que o conteúdo cultural mudou além das estreias dos cinemas para o que está chegando na sala de estar, seja com o sucesso improvável de “O Gambito da Rainha” (Netflix), em uma semana, ou “The Undoing” (HBO), estrelada por Hugh Grant e Nicole Kidman, na semana seguinte.

Para uma analogia entre cenários de pandemia, uma vez que as curiosidades que envolvem os Estados Unidos e sua indústria cinematográfica interessam para muita gente, a gripe espanhola de 1918 foi um dos fatores que estimulou a própria criação dos estúdios de Hollywood. Magnatas como o cofundador da Paramount Pictures, Adolph Zukor, aproveitaram a oportunidade para adquirir cinemas falidos e iniciar o império que hoje é usado como metonímia do cinema americano.

Cinema e serviços de streaming já contam com lançamentos simultâneos.

A WarnerMedia, controladora da Warner Bros., CNN, HBO, Cartoon Network, entre outras empresas do conglomerado, colocou mais lenha na fogueira quando anunciou, no final do ano passado, que pretende lançar todos os seus filmes de 2021 na HBO Max no mesmo dia em que chegarem aos cinemas. A companhia tem na sua agenda 17 produções – incluindo alguns blockbusters em potencial – que estão indo para o serviço streaming por um preço de US $ 14,99 por mês sem custo adicional, em um esforço ousado para fazer crescer o HBO Max.

Para quem não conhece, HBO Max é o serviço de streaming unificado da WarnerMedia, por enquanto restrito ao mercado norte-americano. A nova plataforma que reune num só lugar conteúdos de todos os canais de mídia do conglomerado, além de estreias e atrações exclusivas, deve chegar ao Brasil e América Latina neste ano de 2021.

Os executivos insistem que é uma mudança temporária, mas muitos em Hollywood acreditam que a indústria nunca será capaz de voltar aos velhos tempos.

Christopher Nolan, diretor de filmes da Warner Bros. como “A origem” (2010) e “Tenet” (2020), foi um dos cineastas que criticaram essa estratégia da WarnerMedia. Por sinal, Nolan ganhou os holofotes no ano passado não por sua sua obra, mas pela decisão de não adiar o lançamento de ‘Tenet’ – primeiro blockbuster a estrear após a reabertura dos cinemas, em agosto, em plena pandemia.

Já o cineasta brasileiro Fernando Meirelles acredita que o streaming pode salvar a indústria cinematográfica. “Os filmes que ganharam prêmios recentemente são produções financiadas por plataformas streaming”, disse Meirelles, que dirigiu a obra-prima “Dois Papas” (2019), bancado pela Netflix.

Embora a esperança de que vacinas eficazes levem a um retorno à normalidade, muitas mudanças vieram para ficar.

O fechamento abrupto dos cinemas foi provavelmente o sinal mais visível da ruptura da indústria com a pandemia de Covid-19 – algo que os veteranos deste ramo do entretenimento e os cineastas temem que cause mudanças irreversíveis.

O produtor de “Corra!” (título original, “Get Out”), Jason Blum, disse: “Isso vai mudar para sempre a forma como olhamos para a indústria do cinema”; e completou: “É a coisa mais grave que aconteceu à indústria do cinema em toda minha vida.”

Sem filmes e com uma queda de quase 80% nas bilheterias em relação a 2019, as salas das redes Multiplex reabriram lutando para se manter à tona. Muitas fecharam novamente ou reduziram o horário e o público. Outras ofereceram aluguel de auditórios completos para exibições privadas.

Sobre arrecadação, o filme “The Marksman”, com Liam Neeson, vem liderando as bilheterias dos Estados Unidos e Canadá em janeiro de 2021, com pouco mais de 2 milhões de dólares. Em cartaz há duas semanas, o suspense acumulou US $ 61 milhões nos primeiros 10 dias de exibição. Esse desempenho não se compara aos tempos pré-pandêmicos, uma vez que os cinemas de grandes mercados como Los Angeles e Nova York continuam fechados.

Mas os executivos do setor vêem a revitalizada indústria cinematográfica da China, epicentro inicial da pandemia, como um sinal de que as pessoas não podem ter apenas os serviços de streaming como fonte de entretenimento. O drama “The Eight Hundred”, primeiro grande lançamento desde a retomada das atividades no país asiático, chegou aos cinemas em agosto de 2020 com uma bilheteria acumulada de mais de 40 milhões de dólares, de acordo com o China Box Office. O épico de guerra (sem nome em português), praticamente restrito ao público chinês, desbancou as produções hollywoodianas, incluindo “Tenet”, e foi o grande campeão de bilheteria de 2020. O sucesso comprova que, em locais onde a contaminação está mais controlada, as pessoas estão voltando aos cinemas.

Outro bom sinal de que os tempos áureos das salas lotadas podem voltar é que a Warner já está dando seus primeiros sinais de recuo sobre a decisão da estreia de “Duna”, em 2021. O longa de ficção científica estrelado por Timothée Chalamet, a princípio, estaria entre as grandes produções do estúdio com lançamentos simultâneos no streaming, mas, segundo o site Deadline, a empresa considera preservar a estreia exclusivamente para as salas de cinema, em outubro. Sendo assim, há esperança de que até lá as vacinas contra a Covid-19 já tenham imunizado boa parte da população.

 

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