Em meio à crise econômica, Páscoa ainda é oportunidade de negócio

pascoa-negocios-ovos-embrulhadosA venda de ovos de Páscoa é uma motivação na vida de Sonia Tatajuba, moradora do bairro do Jaçanã, zona norte da cidade de São Paulo. No ramo há 22 anos, Sonia decidiu fazer chocolates de forma artesanal após o nascimento de seu filho mais novo, quando precisou deixar o emprego como vendedora de materiais no setor de engenharia. “Aprendi a mexer com chocolate com a minha irmã, que foi quem primeiro começou a produzir ovos na família”, conta a doceira. Exceto por uma pausa de dois anos, entre os anos de 2014 e 2015, para se dedicar aos cuidados com a neta, ela sempre teve clientela assídua por seus produtos.

Entre os interessados estão vizinhos, colegas de trabalho de seus familiares e terceiros. O boca a boca ainda é o principal meio de divulgação, inclusive nas redes sociais. “No Carnaval, minha filha publicou um aviso no Facebook e antes mesmo da festa terminar e eu começar a comprar os produtos necessários para produzir os ovos, tradicionalmente isso ocorre na Quarta-feira de Cinzas, já tínhamos alguns pedidos”, diz a doceira.

Em 2012, a família, segundo Sônia, atingiu a marca mais alta de ovos comercializados: 582. Para 2016, a expectativa da doceira é que os números se aproximem dos de quatro anos atrás.

De acordo com a ABICAB – Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados, que ainda não tem os números referentes a este ano, pois a produção ainda está acontecendo, em 2015 o setor produziu aproximadamente 80 milhões de ovos em todo o Brasil, resultado das 19,7 mil toneladas de chocolate produzidas por indústrias e chocolaterias.

pascoa-negocios-ovo-recheadoAo longo dos anos atuando com doces, Sonia entendeu que a venda feita sem intermediários seria melhor para o modelo de negócio familiar, que não trabalha com estoque, apenas mediante pedidos. “Nosso planejamento corresponde exatamente ao período de 40 dias que antecedem a Páscoa e os doces são entregues aos clientes até a última semana que antecede o feriado”, explica Sonia. No resto do ano, Sonia prioriza a produção de pães de mel.

Se para Sonia a venda de ovos de Páscoa configura um complemento às demais atividades profissionais exercidas pela família, para outros brasileiros pode ser a atividade principal. De acordo com o IBC-Br, Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil, prévia do número consolidado do PIB que será divulgado pelo IBGE em março, a economia brasileira retrocedeu ainda mais do que o esperado para 2015.

O quadro de recessão acaba por estimular o desemprego, uma vez que a crise econômica afeta toda a cadeia produtiva formal, do varejo à indústria. Em 2015, o IBGE estimou a média anual da população desocupada em 9,3 milhões de pessoas.

Já pensou em empreender?

Uma alternativa para quem quer aumentar a renda atual ou recuperar o prejuízo causado pelo desemprego é se tornar micro ou pequeno empreendedor. E a Páscoa, assim como outras datas comemorativas, é uma das principais oportunidades de negócio. É por meio da criação de uma empresa que se consegue ampliar as possibilidades de vender, indo além do contato com amigos e conhecidos, tanto para armazéns, lojas especializadas, padarias e supermercados quanto em uma loja própria.

Para José Carmo Vieira de Oliveira, consultor de marketing do Sebrae-SP, a regularização da atividade é importante para ampliar as oportunidades de negócio: “O micro e pequeno empresário tem acesso a impostos mais baixos e pode vender seus produtos para outras empresas”.

Caso você tenha interesse em investir no segmento de chocolates, o Sebrae, entidade de apoio às micro e pequenas empresas no país, vinculado ao Governo Federal, oferece algumas dicas de gestão para aumentar as vendas durante a Páscoa.

Temporários

Se, em vez de ser responsável pelo próprio negócio, você preferir buscar uma nova possibilidade no mercado de trabalho formal, vale atentar para a abertura de oportunidades temporárias. Segundo a ABICAB, as indústrias e lojas especializadas geraram cerca de 29 mil vagas temporárias em todo o país, para as áreas de produção, promoção e venda de produtos entre os meses de outubro de 2015 a março de 2016, por exemplo.

De acordo com a entidade, fundada em 1957 com o objetivo de dialogar com os setores público e privado sobre o segmento em que atua, o Brasil é o terceiro maior consumidor e produtor de chocolate no mundo, atrás dos Estados Unidos e da Alemanha.

 

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