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João Batista Natali/ Crise no Iraque expõe divisão do mundo islâmico

Vamos falar do Iraque. E vamos falar rápido porque o país pode estar acabando.

João Batista Natali/ Crise no Iraque expõe divisão do mundo islâmico Vamos falar do Iraque. E vamos falar rápido porque o país pode estar acabando.
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Vamos falar do Iraque. E vamos falar rápido porque o país pode estar acabando. Agora à tarde, forças do governo enfrentavam insurgentes sunitas a apenas 60 quilômetros de Bagdá. O avanço dos insurgentes foi muito rápido nos últimos dez dias. Tecnicamente, Bagdá pode cair em mãos desse grupo de malucos. Foi o que já aconteceu com Mosul, a segunda cidade do país. Os insurgentes são de um grupo chamado Estado Islâmico no Iraque e no Levante. Eles querem instituir um califado, que junte regiões sunitas no Iraque e na Síria. Mas vamos recapitular. Depois de décadas de ditadura sunita, os americanos invadiram o Iraque em 2003. O ditador deposto, Saddam Hussein, foi enforcado. Veio então um arremedo de democracia. Em democracia quem manda é a maioria. E a maioria dos iraquianos pertence a um outro ramo muçulmano, o dos xiitas. O atual primeiro-ministro é o xiita Nouri Maliki. Ele persegue os sunitas, que por causa disso aderiram a esses rebeldes, que nasceram dentro da Al Qaeda. O arremedo de democracia iraquiana também está ruindo como um castelo de cartas por causa de interesses externos. A Guerra Civil na Síria serviu de laboratório para que os radicais sunitas mostrassem suas garras. A Arábia Saudita fornece ao grupo dinheiro e armas, embora negue que esteja fazendo isso. Quem perde o sono com essa nova guerra civil é o Irã. O regime iraniano é o guardião da fé xiita dentro do mundo muçulmano. Se o Iraque entrar em colapso, o país terá um regime hostil do outro lado da fronteira. Os Estados Unidos também estão preocupadíssimos. Eles retiraram suas tropas do Iraque em 2011. Por enquanto, o presidente Obama anunciou o envio de 700 militares para proteger a embaixada americana em Bagdá. O Irã e os Estados Unidos têm no Iraque uma causa comum. Mas não estão negociando ações coordenadas. São países inimigos desde que os xiitas chegaram ao poder, em 1979. E até Israel está com medo. E torce para que o Irã entre na briga e faça alguma coisa. É assim que o mundo gira.
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