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João Batista Natali/Presidente francês e o PS saem derrotados das urnas

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Vamos falar da França. Quem tomou posse, hoje, como novo primeiro-ministro, foi Manuel Valls. Ele nasceu em Barcelona. Só aos 20 anos de idade é que se tornou cidadão francês. E, anteontem, quem se elegeu para a Prefeitura de Paris foi Anne Hidalgo. Ela também nasceu na Espanha. Ganhou a nacionalidade francesa aos 16 anos. O primeiro-ministro e a prefeita de Paris não são exceções dentro da política francesa. A Espanha pertence, como a França, à União Europeia. Em termos legais, a Espanha não é um país tão estrangeiro quanto o Brasil. É um país só em parte estrangeiro, a exemplo da Alemanha, da Itália, da Bélgica ou de Portugal. Pois a prefeita Anne Hidalgo foi um dos poucos exemplos de vitória da esquerda na eleição municipal, com segundo turno anteontem. Entre as cidades com mais de 10 mil habitantes, a esquerda só ganhou em 350.
A direita ganhou em 570. Os grandes derrotados foram o presidente François Hollande e o Partido Socialista. Hollande prometeu há dois anos reduzir o desemprego e fazer a economia crescer. Não conseguiu nem uma das duas coisas. A França é um país maravilhoso de viver. Uma excelente rede pública de ensino, e o melhor sistema de saúde do mundo. Mas isso custa caro. O Estado é pesadão, engole todos os impostos e ainda quer mais. O primeiro-ministro Manuel Valls precisará dar um jeito para cumprir compromisso que a França assumiu com a União Europeia. Deverá cortar do orçamento 69 bilhões de dólares. Vai ser difícil. Uma última palavra sobre a extrema direita. A Frente Nacional, partido racista e contrário à imigração, teve apenas 7 por cento dos votos nas municipais. E elegeu 14 prefeitos. Não há nenhuma guinada ultra-conservadora na França. Isso é bobagem. Em tempo, a França tem 36.500 prefeituras. Ela é, dentro da Europa, a colcha de retalhos com retalhinhos mais pequenos. Qualquer ajuntamento de casas no meio do mato vira município. Mas nessas aldeias o prefeito não recebe nem ajuda de custo. E a câmara municipal se reúne só uma vez a cada três meses. E nenhuma mordomia. É assim que o mundo gira.
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