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A expectativa para a escolha do novo parlamento italiano

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

A expectativa para a escolha do novo parlamento italiano Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

"Os italianos votarão neste domingo, mas nenhum grupo político terá a maioria dos votos para formar um gabinete. Ninguém arrisca palpites sobre quem poderá ser convidado para ser o novo primeiro-ministro. Vão ser eleitos 630 deputados e 315 senadores. Mas só os deputados é que contam para definir o novo governo.

A lei italiana proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais, três semanas antes do voto. As últimas pesquisas, que podem estar desatualizadas, davam o seguinte quadro. Em primeiro lugar, chegaria o movimento cinco estrelas, que se opõe aos partidos tradicionais e que não aceita alianças.

Vem a seguir o grupo de três partidos de direita. O maior deles é o Força Itália, do ex-primeiro ministro Silvio Berlusoni. Mas Berlusconi é ficha suja. Ele faz campanha, mas não é sequer candidato. Uma das opções do bloco conservador é o líder da antiga Liga Norte, que agora se chama apenas Liga, para atrair votos do sul. Ele se chama Matteo Salvini. Eu ouvi ontem uma entrevista dele na RAI, a TV italiana. Salvini é perigoso. Disse que a Itália resolveria os problemas de moradia para os mais pobres, se deixasse de dar dinheiro para os refugiados árabes. É uma conta mentirosa.

Mas vejamos o terceiro grupo de partidos, localizado à esquerda. Esse grupo é liderado pelo Partido Democrático, de Matteo Renzi, o ex-prefeito de Florença que foi primeiro-ministro depois das legislativas, de 2013. Mas o partido dele está perdendo velocidade. Só conseguirá governar se aceitar aliança com Berlusconi, o que seria um ato contra a natureza.

Por fim, muita gente tem medo do FDI, ou Irmãos da Itália, um partido neo-fascista que quer retirar o país da União Europeia. Salvini também flerta com essa ideia, mas não terá cacife para convocar um referendo com essa finalidade. O resumo da ópera é o seguinte: a Itália é um país democrático, mas difícil de governar. E tudo indica que vai ser esse novamente o caso, na madrugada da próxima segunda-feira. É assim que o mundo gira. Boa noite."
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