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Falta reação à venda da Eletrobras

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.

Falta reação à venda da Eletrobras Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.
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O fim de uma reserva mineral na fronteira do Amapá com o Pará causou mais bafafá nos meios de comunicação e nas redes sociais do que a privatização da Eletrobras, a segunda maior estatal e uma das maiores empresas do país.
Venda de estatal já foi motivo de grandes batalhas políticas e até de pancadaria de rua, faz uns 20 anos. O que houve?
A reserva de que estamos falando é a Renca, nome engraçado da Reserva Nacional do Cobre e associados, do tamanho do Espírito Santo ou de países como Bélgica, Suíça ou Dinamarca.
É uma reserva mineral, cheia de possibilidades de exploração de minérios valiosos, mas em tese intocada. Lá dentro, há reservas indígenas e florestais imensas. O governo diz que não vai mexer nessas áreas protegidas. Só vai permitir exploração de minério no resto da Renca. Os ambientalistas e inimigos em geral do governo Temer acham que isso é conversa.
Eles, os ambientalistas, têm alguma razão e a história do lado deles. Quando se abre uma área para exploração mineral, agropecuária ou para estradas, junto, vem a exploração ilegal de áreas vizinhas protegidas. É um clássico brasileiro.
Embora o assunto seja importantíssimo, a Renca afeta diretamente muitíssimo menos gente que a venda da Eletrobras, para o bem ou para o mal.
A venda da Eletrobras pode, ou não, elevar os preços da energia. Pode mudar o modo de organizar o setor elétrico no país, o que é fundamental para a economia e até para acender a luz da cozinha. Faz 16 anos, lembrem-se, o país passou pelo apagão dos anos FHC. Em 2014, se não fosse a recessão começando, havia risco de racionamento.
A fraqueza da esquerda depois de Dilma Rousseff pode explicar um pouco da falta de reação à venda da Eletrobras. Pode ser que o assunto ainda esteja cru, indefinido, sem consequências concretas muito claras.
Talvez o país tenha mudado um pouco. A maior cidade do país elegeu um prefeito que fez campanha falando de privatização. Ninguém dá a mínima para a venda de aeroportos, que aliás melhoram depois de privatizados. Talvez o assunto histórico esteja perdendo importância, na opinião média do público.
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