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Falta uma alavanca para o crescimento

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Falta uma alavanca para o crescimento Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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A expansão no primeiro trimestre é uma sinalização positiva, principalmente, por marcar uma reversão do cenário que tivemos por dois anos consecutivos, de uma recessão histórica, que derrubou o PIB em quase 7%. Claro que o governo quer aproveitar isso. Mas é cedo pra muita comemoração. A composição do PIB mostra que a melhora veio muito do setor agropecuário, beneficiado pela supersafra. A indústria também reagiu, o que é importante, já que foi o primeiro setor a entrar em crise. Mas os demais itens ainda tiveram performance ruim. Serviços com estabilidade, queda do consumo das famílias, do governo e queda dos investimentos. Os investimentos estão em cerca de 15% do PIB. Pra fazer diferença, alavancando crescimento mais vigoroso, os investimentos deveriam estar uns 10% acima. Aliás, está faltando alavanca para o crescimento. Não dá pra contar com uma reação mais firme do consumo nem com estímulos do governo. A balança comercial está batendo recordes de superávit, mas muito relacionados às vendas externas de produtos básicos, o que também tem relação com a safra, fora outras commodities, como o minério. Portanto, o setor externo também não vai garantir um avanço maior da economia. O que se esperava é que a correção dos desvios dos últimos anos pudesse levar a uma aceleração maior da economia no segundo semestre, com uma expansão do PIB, este ano, de 0,5%. É a previsão do próprio governo. Só que agora tem o componente político, que pode travar a agenda econômica, especialmente, no que se refere as reformas, além de atrapalhar outros dados positivos, que ajudam na aceleração, como o corte dos juros. O Copom reduziu ontem a taxa básica em um ponto, para 10,25% ao ano, só que já sinalizou uma freada nesse ritmo, exatamente, pelas incertezas do cenário. Se a expectativa já era de um crescimento modesto, agora, nem isso está garantido. E é bom observar que o PIB ainda ficou negativo em relação ao mesmo trimestre do ano passado e no acumulado do quatro trimestres. A reação no primeiro trimestre não é garantia de retomada, principalmente, em meio à crise política. Eu volto na segunda. Até lá
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