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Todos têm de pagar a conta da Previdência

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Todos têm de pagar a conta da Previdência Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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O Ministro Meirelles disse que não fará mais concessões, mas a pressão vai continuar. Nenhuma reforma seria popular, a não ser que fosse no sentido inverso que se pretende, que é fazer com que as pessoas trabalhem até uma idade mais avançada. E isso não é maldade. O problema é que, da forma como está, o sistema previdenciário terá rombos crescentes até ficar enviável. Ou vai abocanhar uma fatia cada vez maior do orçamento, afetando outras áreas, travando qualquer política pra tirar as contas públicas do vermelho. Claro que a conjuntura atual não ajuda. Toda hora temos notícias de mais corrupção, de desvio de recursos públicos, que vem dos impostos que pagamos.Tem a inadimplência de grandes empresas. Mas, mesmo que se corrija tudo isso, o rombo do sistema vai aumentar. Pra frear esse processo, as regras têm de ser alteradas. As concessões já feitas no projeto original, segundo o governo, vão representar uma economia 24% menor que se esperava. Parece otimista. Porque foram feitas muitas concessões e, pior, mantidos privilégios. Isso deveria ser mais combatido. A conta tem de ser dividida pra todos. Mas a pressão de algumas categorias tem funcionado e outras também querem escapar das mudanças. Sendo que as discussões ainda estão na comissão. Mais alterações podem ser feitas pela Câmara, pelo Senado. No Senado onde Renan Calheiros, do partido do governo, com todas as implicações que tem na Lava Jato, resolveu ser o defensor dos trabalhadores, se aliando às centrais sindicais, contra as reformas. Agora é oposição. Dá pra confiar??? Mas, em relação à reforma, se sair como está, em um prazo até curto, lá pra 2020 novas mudanças podem ser necessárias pra conter mais as despesas. A não ser que o novo governo queira empurrar com a barriga. Mas é bom lembrar que todos os últimos governos defenderam reformas, mas dadas as limitações políticas, só conseguiram algumas alterações. O atual governo quer a reforma, ainda que mais modesta, até pra ganhar tempo enquanto faz outros ajustes pra tirar a economia da crise. Se a reforma fracassar a crise pode voltar a ganhar força, com o desequilíbrio das contas, dúvidas quanto à solvência do setor público, menos investimentos, mais pressão sobre o dólar, a inflação e os juros. Se já está difícil sair da crise, sem reforma fica pior. Eu volto na segunda. Até lá.
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