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A queda lenta dos juros bancários

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.

A queda lenta dos juros bancários Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.
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As taxas de juros nos bancos comerciais caem muito devagar. Caem ainda mais que as taxas do Banco Central. É uma disputa da tartaruga e com a tartaruga manca. Nada de coelho nesta história.
Essa lerdeza nos juros e a queda da reforma da Previdência pode jogar a recuperação microscópica da economia na latinha de lixo.
O Banco Central define mais ou menos o custo do dinheiro, os juros, no atacadão, no mercado em que os bancos emprestam recursos uns aos outros.
O Banco Central define uma espécie de piso das taxas de juros do mercado. Desde outubro, cortou a sua taxa de juros, a Selic, em dois pontos, de 14,25% ao ano para 12,25% ao ano.
Todo mundo sabe que as taxas de juros nos bancos e nos crediários são muito maiores, de 25% ou 100%, para nem falar de cartão de crédito e cheque especial.
Pois bem. As taxas de juros dos empréstimos mais importantes nos bancos caíram menos que isso ou nada, desde outubro.
Os bancos estão na retranca. Ainda temem calotes. Emprestam pouco e caro. As pessoas tomam menos empréstimos. Caiu brutalmente a quantidade de dinheiro emprestada na economia. Faz quatro anos, esse valor era de três trilhões e meio de reais. Agora, é de três trilhões. Uma queda de 500 bilhões.
Como a renda está estagnada e as empresas não estão fazendo investimento novo, a baixa do crédito dificulta a recuperação econômica.
Os bancos, enfim, ainda não estão acreditando muito na retomada da economia. Uma retomada pequena. O crescimento deste ano, por enquanto, está previsto em 0,5%. Nos dois últimos anos, caiu mais de 3,5% por ano.
Para piorar, os donos do dinheiro vão ficar ainda mais na retranca se não passar a reforma da Previdência, se o governo não controlar gastos. Os donos do dinheiro vão emprestar menos e investir menos.
É um risco para a recuperação. Não vamos voltar para o desastre dos últimos dois anos. Mas mal vamos sair do lugar.
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