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Extrema direita pode chegar ao poder na Holanda

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Extrema direita pode chegar ao poder na Holanda Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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A Holanda é um país pequenininho, com apenas 17 milhões de habitantes. Mas é também um dos países mais ricos do mundo, com 50 mil dólares de renda anual per capita. Quatro vezes mais que o Brasil. Mas não é por isso que a Holanda será amanhã, quarta-feira, o foco internacional das atenções. O país renova o parlamento de 150 cadeiras. E existe a possibilidade de a extrema-direita chegar em primeiro lugar. Se isso acontecer, Geert Wilders poderá virar primeiro-ministro. Deus nos livre. Wilders quer fechar mesquitas, quer colocar para fora refugiados sírios e imigrantes muçulmanos. Quer retirar a Holanda da União Europeia e abandonar a zona do euro. As pesquisas eleitorais indicam que o partido de Wilders elegeria apenas 24 deputados. Mas uma grande presepada internacional, praticada desde sábado pela Turquia, criou um clima favorável para a extrema direita holandesa. Aconteceu o seguinte. A ditadura disfarçada da Turquia convocou um referendo. Moram na Holanda 400 mil imigrantes turcos, e o ministro turco das Relações Exteriores programou um comício na Holanda para os compatriotas. Mas a Holanda, também em período eleitoral, proibiu que o avião do ministro aterrissasse. Isso porque o ministro não aceitou a exigência de limitar os compromissos políticos a lugares fechados. Sentindo-se melindrada, a Turquia rompeu relações diplomáticas com a Holanda. E os holandeses se sentiram agredidos pela diplomacia de um grande país muçulmano. É muito irônico que o governo turco tenha se comportado, sem querer, como um cabo eleitoral da extrema-direita holandesa. Gert Wilders esfregou as mãos. As chances eleitorais dele voltaram a crescer. O que acontece na pequena Holanda é importante só para ela mesma. Mas não vai faltar gente que interpretará a votação de Wilders, como uma nova prova da onda conservadora em escala mundial. Uma onda que já retirou o Reino Unido da União Europeia, e que já elegeu Donald Trump nos Estados Unidos. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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