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Mercado prevê inflação menor, mas crescimento ainda fraco

Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.

Mercado prevê inflação menor, mas crescimento ainda fraco Comentário de Economia, com Denise Campos de Toledo.
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A previsão de inflação abaixo da meta é uma das melhores notícias para a economia, principalmente por dar espaço para um corte maior da taxa básica, pelo Banco Central, e dos juros, em geral. Agora, chama atenção o fato de o mercado insistir na projeção de um crescimento muito baixo, pelo menos, neste ano. A projeção de um avanço do PIB ao redor de 0,5% não é exatamente ruim. Confirma, ainda que de forma moderada, a saída da crise. Só que esse ritmo não mexe muito com a percepção das pessoas, dos empresários. Aliás, há quem duvide da queda da inflação, mesmo com a baixa dos preços de alimentos. O problema é que os preços subiram tanto, por tanto tempo, que agora a queda não faz muita diferença. As finanças continuam apertadas. A queda da renda per capita, do PIB dividido pela população, passou de 10%. Houve uma perda pesada do poder de compra e ainda tem o desemprego, dívidas e outras dificuldades. Mas, temos vários ramos de atividade com sinais de alguma reação, alguns poucos dados melhores até do mercado de trabalho, e a consolidação desse movimento vai fazer com que as pessoas acreditem mais na reação da economia. Isso deve acontecer mais para o segundo semeste. Porém, a consolidação da reação da economia vai depender das reformas, principalmente da Previdência. Por mais que não se goste da idéia de alterações nos direitos relativos à aposentadoria, se o governo não conseguir assegurar, pelo menos, uns 70% do que pretende economizar, o País pode passar por uma nova piora da avaliação de risco, do crescimento da dívida, com queda de investimentos e pressões sobre o dólar, com os efeitos sobre inflação, juros e tudo mais. E o avanço das reformas vai depender do ambiente político, que hoje está muito relacionado à lista do Janot, que deve mostrar os políticos implicados nas delações, chegando no núcleo do governo. Não que não se deva avançar com as investigações e processos. Longe disso. Mas é preciso considerar, quando se fala em retomada do crescimento, os riscos relacionados à política. Não dá pra ignorar. Eu voltou na quarta. Até lá.
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