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Tanta destruição na indústria parece guerra

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.

Tanta destruição na indústria parece guerra Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire.
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Quem ouve as notícias de economia e os comentários aqui da Gazeta talvez já esteja cansado dessa história de que a situação daqui a pouco começa a melhorar.
Dá para entender. Quanto a gente está no buraco, fica difícil de ver o que tem lá fora, lá pra cima. A gente caiu em um buraco muito fundo. Mas está subindo. Ainda dentro do buraco.
Olha o exemplo da venda de carros em janeiro. Os números saíram agora de tarde. A venda de carros caiu 7%, em relação a janeiro do ano passado. Ainda é horrível, as lojas ainda estão meio vazias. Mas, em janeiro do ano passado, as vendas caíram 36%.
Estamos, óbvio, em um buracão. Nos tempos ainda bons do começo de 2014, logo antes do começo da recessão, eram vendidos mais de 10 mil carros no Brasil, por dia. Agora, se vendem 5 mil por dia. Olha o tamanho do buraco.
Em outras indústrias e comércios, a coisa não desceu tão baixo. Mas ainda é um buraco. Aos poucos, muito devagar, começamos a sair dele.
Vejam o caso dos salários. No final do ano passado, a média dos salários subiu 0,5%, sobre o ano anterior. Parece um nadinha. Mas os salários, na média, só caíam desde agosto de 2015, faz quase um ano e meio.
Então, os salários, na média, ainda estão bem abaixo de onde estavam em 2014. 2014. Olha o tamanho do atraso. Mas, pelo menos agora, deve parar de piorar.
O caso terrível ainda é o da indústria, das fábricas, como a gente acabou de ver. Parece que a gente passou por uma guerra, guerra de verdade, tamanha a destruição.
A produção da indústria em dezembro era quase 20% menor do que era em junho de 2013. Junho de 2013. Foram três anos e meio andando pra trás. É como se tivesse havido um bombardeio do Brasil e uma em cada cinco fábricas tivesse sido destruída.
Parece que a coisa parou de piorar, enfim. No ao passado, a produção da indústria caiu 6%. Neste ano, deve subir 1%. Não recupera quase nada da perda de 2016. Mas a desgraça pelo menos para. A gente enfim pode ter uma chance de olhar para fora do buraco, da segunda pior crise do Brasil em mais de um século.
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