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Inflação e contas públicas freiam queda de juros

Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire

Inflação e contas públicas freiam queda de juros Comentário de Economia, com Vinicius Torres Freire
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O Banco Central baixou a taxa de juros em um quarto de 1%. Parece um nadica de nada para quem não vive no mundo das discussões econômicas e paga juros de 20%, 50% ou 100% ao ano.

Mas foi pouco mesmo.

Antes de mais nada, explique-se que essa taxa de juros regula mais ou menos o piso do custo dos empréstimos no mercado financeiro. Por meio dela, o Banco Central influencia o custo de empréstimos entre bancos, grosso modo.

É o custo dos empréstimos no "atacadão" do mercado de dinheiro. A partir daí, as outras taxas de juros aumentam em escadinha ou escadona.
No varejo, os empréstimos são muito mais caros.

Essa taxa acaba tendo impacto no custo do financiamento da casa própria e acaba influenciando até o crediário da TV ou da geladeira.

Mas demora a fazer efeito. Uns seis meses, pelo menos. E os juros vão cair devagar. Por quê?

Porque é por meio das taxas de juros que o Banco Central procura conter a inflação. Juros mais altos, em tese inflação mais baixa.

No entanto, a inflação está caindo muito devagar. Por quê?

Um dos motivos é porque a inflação ficou alta muito tempo, o que estimula novas rodadas de reajustes de preços: se os preços estão subindo, reajusto por conta, para não ficar para trás.

Outro motivo, é porque as contas do governo viraram uma baderna, com gastos grandes e dívida crescente.

Outro motivo, mais pontual, foi a alta enorme do preço dos alimentos, devida a problemas climáticos.

Enfim, e daí? O que acontece com a economia?

Com essa redução mínima da taxa de juros de hoje, quase pra inglês ver, o Banco Central está reafirmando que só vai acelerar o ritmo quando notar mais queda na inflação e mais sinais de que o governo e o Congresso vão arrumar as contas públicas.

A redução dos juros é dos poucos estímulos restantes para fazer com que a economia volte a rodar. A economia vai voltar a rodar. Mas a melhoria vai vir muito devagar.
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