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Na França, burquini opõe liberdade à igualdade

Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.

Na França, burquini opõe liberdade à igualdade Comentário de Política Internacional, com João Batista Natali.
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Nunca se perdeu tanto tempo com uma coisa tão pequena quanto o burquini. Para quem ainda não sabe, o burquini é uma roupa que cobre todo o corpo de uma mulher muçulmana que vai para a praia. O assunto começou em Marselha, no sul da França.
No final de julho, foi organizado o dia do burquini num parque público. Em seguida, 12 prefeitos franceses baixaram decretos, proibindo o burquini nas praias das cidades deles. A maior das cidades foi Cannes, onde a proibição teve o apoio da Justiça. E vejam que curioso. Ninguém pode dizer a mulher que esconde todo o corpo é imoral ou indecente. Sobretudo nessa região da França, onde se pratica há 45 anos o topless, que é o biquíni sem a parte de cima. O que está em jogo é uma outra questão. A mulher que se cobre da cabeça aos pés, e deixa só o rosto de fora, está reiterando uma identidade religiosa. É como se ela dissesse que é diferente.
Acontece que, há mais de dois séculos, a França se reafirma como um país laico republicano. E ser republicano é aceitar o princípio da igualdade. Nada de ser diferente. Essa ideia é agora defendida por prefeitos da direita e da esquerda. Mas, no campo oposto, estão os defensores das liberdades individuais. Para eles, cada um tem o direito de se vestir como quiser. Essa divergência apareceu na França há mais de 20 anos. O governo proibiu que garotos e garotas frequentassem a escola com a cabeça coberta. A proibição se espalhou por outros países da Europa. Menos no Reino Unido. Os ingleses são medalha de ouro nos direitos individuais. Em Londres, adolescentes paquistanesas circulam com o corpo todo coberto. Essa discussão pode parecer uma grande besteira. Não é. Estamos diante do confronto entre, de um lado, o princípio da igualdade, do Estado laico. De outro lado, a liberdade que a pessoa tem de demonstrar que tem uma religião diferente. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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