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É preciso ter cuidado nas aplicações financeiras

O Brasil ainda está longe de uma solução para as crises. E o investidor tem de tomar cuidado até com as aplicações que rendem juros.

É preciso ter cuidado nas aplicações financeiras O Brasil ainda está longe de uma solução para as crises. E o investidor tem de tomar cuidado até com as aplicações que rendem juros.
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O movimento do mercado, em fevereiro, com bolsa em alta e dólar em queda, não foi muito compatível com o atual cenário que temos aqui e no exterior. No Brasil só tivemos piroa dos indicadores. Foi um mês em que o País sofreu dois rebaixamentos da nota de avaliação de risco, um pela Standard & Poor's e outro pela Moody's. No exterior aumentaram as preocupações com a desaceleração do crescimento da China e de outros países, com a menor eficácia das políticas de estímulo, adotadas pelos bancos centrais, que estão mantendo juros perto de zero, entre outras medidas. E o petróleo continuou rodando num patamar baixo.Tudo isso produziu muito sobe e desce. Mas o mercado acabou reagindo a fatores que podem estabelecer uma perspectiva melhor. Aqui, por exemplo, fez diferença o avanço das investigações da Lava Jato, relacionadas a irregularidades na campanha da presidente Dilma, reforçando a possibilidade impeachment. O mercado teve uma reação eufórica à prisão do marqueteiro João Santana. No exterior houve iniciativas, como da Rússia e Arábia Saldita, pra segurar a produção e barrar a queda do petróleo. Os Estados Unidos deram uma parada na alta dos juros. Outros bancos centrais lançaram mais medidas de estímulo. Hoje mesmo o da China reduziu, mais uma vez, o compulsório dos bancos, pra liberar mais dinheiro para a economia. Isso ajudou muito na alta da Bovespa. Mas a tendência ainda é incerta por todos esses problemas que eu citei, que continuam presentes. O Brasil ainda está longe de uma solução para as crises. E o investidor tem de tomar cuidado até com as aplicações que rendem juros. É certo que os juros pagos aqui estão entre os mais altos do mundo. Só que a inflação também está nas alturas. A poupança, com um ganho de 0,6% no mês, apanhou feio, de novo. A inflação de fevereiro deve ter ficado acima de 0,9%. Isso também reduz a margem de ganho de outras aplicações, que ainda têm tributação. O investidor deve tentar fazer investimentos de prazo mais longo, pra pagar menos imposto. Nos fundos, é bom que a taxa de administração seja de, no máximo, 1,5%. Nos CDBS, LCIs ou LCAs, as Letras de Crédito Imobiliário ou Agrícola, é preciso brigar por ganho maior. Nos CDBs, 100% do CDI, que é a taxa de referência dos bancos. Nas outras, LCI e LCA, que não têm imposto, um ganho bom está entre 90 a 95% do CDI. Os títulos do Tesouro estão com uma boa remuneração, igual pra todos, mas é bom prestar atenção nas condições de resgate. Principalmente, nos que rendem inflação mais juros, o resgate antecipado pode implicar corte pesado do ganho. Juros elevados nem sempre são garantia de remuneração também elevada. Eu volto na quinta.
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