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Morales perdeu por centralizar e tolerar corrupção

Confira o conteúdo exclusivo da TV Gazeta - Morales perdeu por centralizar e tolerar corrupção

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Evo Morales, o presidente da Bolívia, está desmoralizado. Ele convocou um referendo de reforma da Constituição, para se candidatar a um quarto mandato de presidente. Mas ontem, quarta-feira, Morales precisou admitir que foi derrotado. O atual mandato dele vai até 2019. Até lá, ele terá governado a Bolívia por 14 anos. Só isso já seria importante. Até há pouco tempo, a Bolívia tinha golpes de Estado e trocava de governo a cada três ou quatro meses. O segredo de Evo Morales tem pouco a ver com os bolivarianos da Venezuela, ou com o peronismo aleijado da Argentina. Morales respeitou os empresários. Não tentou controlar a economia. Ao mesmo tempo, praticou uma política muito agressiva de inclusão social. Isso beneficiou os mais pobres e a população indígena. A Bolívia cresceu 5 por cento no ano passado, o que é ótimo se comparado à queda de 4 por cento da economia no Brasil. Mas se era tão bom, onde é que Evo Morales errou? Ele é centralizador. Trombou com sindicatos e com regiões em que nunca teve a maioria, como Santa Cruz de la Sierra. E também deixou correr a corrupção. O episódio mais anedótico foi a contratação de uma grande empresa da China, que recrutou como executiva uma mulher muito atraente. Ela é por coincidência namorada do presidente, e mãe de um filho que ele teve fora do casamento. A criança morreu. E eu diria que, com a derrota no referendo, no campo político Evo Morales começou também a morrer. Não adianta mais brigar com os Estados Unidos, por causa da produção, em volume suspeito, de folhas de coca, que são a matéria-prima da cocaína. Não adianta virar um herói do nacionalismo, porque passou a mão numa refinaria da Petrobras, e conseguiu que o Brasil pagasse pelo gás boliviano um preço maior que o internacional. Evo Morales tem ainda três anos pela frente. Eu torço para que os bolivianos mantenham a estabilidade política. Ter um vizinho estável é bom também para o Brasil. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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