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Potencial de violência retém brasileiros no Haiti

Confira o conteúdo exclusivo da TV Gazeta - Potencial de violência retém brasileiros no Haiti

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A situação está confusa no Haiti. O pequeno país, de 10 milhões de habitantes, enfrenta uma nova crise, uma nova bagunça comum na história nacional. O Haiti foi o primeiro país da América Latina e Caribe a fazer a coisa certa. Em 1804, aboliu a escravidão e declarou a independência em relação à França. Mas foi também o primeiro país a fazer a coisa errada. Durante a revolução, matou a população branca e queimou os canaviais. Deixou de exportar açúcar e passou por um longo período de fome. Depois disso, o Haiti não conseguiu formar uma elite mestiça, com partidos políticos. Esses partidos poderiam disputar o poder com grupos liberais da sociedade civil, para que se chegasse a um ponto de equilíbrio das instituições. Mas no Haiti a política nunca foi equilibrada. O país atravessou uma sucessão de ditaduras, que colocavam a sociedade de escanteio. A grande caricatura do ditador foi François Duvalier, apelidado de Papa Doc. Ele semeou o terror sanguinário e praticou a ladroeira, entre 1957 e 1971. Nos últimos 15 anos o Haiti teve dois terremotos. O pior deles, em 2010, matou 220 mil pessoas. O grande partido haitiano era o do crime organizado. Há 11 anos as Nações Unidas mandaram tropas para controlar a situação. O Exército Brasileiro está no comando, e tem por lá 2.300 soldados. Em outubro último, foi o primeiro turno de eleições presidenciais. Mas elas não tiveram segundo turno porque o candidato derrotado afirmou que a votação foi fraudulenta. Ele então colocou seus capangas na rua. Foi quase o estopim de uma guerra civil. O segundo turno foi cancelado e, em lugar dele, quem indicará o novo presidente será o Parlamento. Mas não é um país em que se possam negociar acordos políticos. O potencial de violência já atrasou a saída da missão militar da ONU. Os militares brasileiros vão ficando por lá. Em resumo, o Haiti é uma penca de problemas. Uma dor de cabeça permantente para a comunidade internacional. É assim que o mundo gira. Boa noite.
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