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O governo não consegue ajustar as finanças

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A queda do desemprego em dezembro pode até dar a idéia de recuperação, mas teve o componente sazonal. No final do ano cai a procura por emprego. Mesmo assim foi o pior dezembro em oito anos. A taxa anual média de desemprego cresceu 42,5% de 2014 pra 2015, indo de 4,8 para 6,8%. E o mercado de trabalho não piorou só em relação ao emprego. Piorou também a qualidade. Houve o corte de um milhão e meio de vagas com carteira assinada e os serviços domésticos, que vinham caindo desde 2010, cresceram 1,5% E foi a primeira queda do rendimento real desde 2004. Pra este ano a expectativa é de mais desemprego. As empresas continuam se ajustando à atividade mais fraca, o que reforça o ciclo negativo que estamos vivendo. Desemprego e queda de renda reduzem o consumo, dificultando a reação da economia. Sendo que o consumo ainda vai ser prejudicado pela inflação, que deve continuar elevada, principalmente com a sinalização do Banco Central de que não deve aumentar mais os juros. Foi o que ficou da ata da reunião do Copom divulgada hoje. Da reunião em que decidiu manter a taxa básica em 14,25%, contrariando a indicação de que haveria alguma elevação, pra garantir comportamento melhor da inflação. Não que a alta dos juros fosse ter impacto imediato. A inflação segue pressionada pelo aumento de custo das empresas, pelo tarifaço, a alta dos alimentos. Até se questionava o custo de elevar os juros com a economia em recessão. Mas o fato de BC dar a entender que jogou a toalha e não vai mais aumentar os juros, por pressões políticas, gera expectatvas muito ruins. E as expectativas podem fazer a inflação subir mais, já que estimulam a indexação, correções preventivas de preços, repasses de custos. Pra completar o quadro, o governo não consegue ajustar as finanças. Após o rombo recorde de 2015, tenta garantir algum superávit com mais aumento da carga de impostos, insiste na CPMF. Fala também em reforma da Previdência, já que a maior despesa vem daí. Só que tem a resistência política e mudanças, como a idade mínima pra aposentadoria, não teriam efeito a curto prazo. A previsão ainda é de desequilíbrio das finanças públicas, o que aumenta as incertezas para a economia e até a inflação. E o governo ainda fala em adequar a meta fiscal à receita e deve liberar mais de 80 bilhões em crédio direcionado, aproveitando que os bancos públicos estão com mais caixa, depois do acerto das pedaladas fiscais. É assim que vai sair o ajuste e a reestruturação da economia, com a velha fórmula de incentivos pontuais? Eu volto na segunda. Até lá.
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